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 A História do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFluminense) começou a ser construída no início do século passado, com Nilo Peçanha, o então Presidente da República, que criou por meio do Decreto N.º 7.566, de 23 de setembro de 1909, as Escolas de Aprendizes Artífices, com o propósito de educar e proporcionar oportunidades de trabalho para os jovens das classes menos favorecidas. A princípio, o Decreto sancionava a implantação das Escolas de Aprendizes Artífices nas capitais dos estados com maior capacidade de absorção de mão de obra, em atendimento àqueles que buscavam novas alternativas de empregabilidade nos espaços urbanos. Excepcionalmente, a do Estado do Rio de Janeiro seria instalada em Campos, cidade do Norte Fluminense, em janeiro de 1910, devido às articulações político-partidárias para a época, assumindo, desde esse tempo, importância significativa para a região.

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A Escola de Aprendizes Artífices criada em 1909
Fonte: IFFluminense

 No dia 23 de janeiro de 1910, a Escola de Aprendizes Artífices em Campos entra em funcionamento sendo a nona a ser criada no Brasil, com a implantação de cinco cursos: alfaiataria, marcenaria, tornearia, sapataria e eletricidade. É emblemático o caráter ideológico quando se referenda o interesse e a missão de formar profissionais com a singularidade dessas instituições de educação.

 No Brasil do início do século XX, era preciso compor a força de trabalho com base em uma mão de obra livre, daí a presença nos discursos da valorização do trabalho manual, cuja história reserva a marca do desprestígio social. Mais que isso, a educação que se forjava nessas escolas talvez se prendesse mais à preocupação de atuar como um dispositivo de controle social em relação ao segmento da sociedade que acolhia, oriundo das classes proletárias, pessoas consideradas como potenciais adquirentes de vícios e hábitos nocivos à sociedade e à construção da nação.

 Não há dúvida, contudo, de que, desde os primórdios de sua atuação, construiu-se uma circunscrição em torno desse aspecto da educação, referente ao caráter de qualificação de mão de obra especializada e à responsabilidade do atendimento à necessidade de preparação para o trabalho exigido pela estrutura industrial então existente no país.

 Com o investimento na industrialização no Brasil, as escolas de formação profissional foram alterando seu perfil e, pelo Decreto N.º 4.073, de janeiro de 1942 - Lei Orgânica do Ensino Industrial, no bojo da “Reforma Capanema”, as Escolas de Aprendizes Artífices passaram a se denominar Escolas Técnicas Industriais. A partir de então, foram equiparadas às de Ensino Médio e Secundário, possibilitando o prosseguimento de estudos no que diz respeito à formação profissional em nível secundário; sem, contudo, favorecer o acesso ao ensino superior. No ano de 1942, a sede da Escola Industrial e Técnica em Campos requereu novas instalações. Assim, adquire-se terreno no Parque Dom Bosco, onde atualmente se encontra instalado o Campus Campos Centro do IFFluminense.

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Alunos da Escola de Aprendizes Artífices
Fonte: IFFluminense

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Novas instalações da Escola Técnica Federal de Campos
Fonte: IFFluminense

 A Escola de Aprendizes Artífices de Campos passou a ser denominada Escola Técnica Federal de Campos em 1945 e, como as demais, atrela-se às políticas de desenvolvimento, com interesse voltado para o crescimento e consolidação da indústria. Apesar do amparo legal para disponibilizar os cursos técnicos para a sociedade, muitas escolas, como foi o caso da Escola Técnica de Campos, por um tempo, passaram a oferecer, além do ensino primário, o 1º ciclo do 2º grau, o que, na verdade, significava cursos industriais básicos.

 A promulgação da Lei N.º 3.552, de 16 de fevereiro de 1959, que dispõe sobre a nova organização escolar e administrativa dos estabelecimentos de Ensino Industrial do Ministério de Educação e Cultura, confere a essas escolas industriais, segundo o Art.16, “personalidade jurídica própria e autonomia didática, administrativa, técnica e financeira” e elas passam a ser reconhecidas como Escolas Técnicas Federais. Esse cenário tem lugar no Governo de Juscelino Kubitschek que, em seu Plano de Metas - 50 anos em 5 -, evidenciava forte incremento para a industrialização do país.

 Denominadas a partir de então Escolas Técnicas Federais, apresenta-se forte o discurso por parte das instâncias governamentais e dos representantes do Ministério da Educação a favor da ampliação da formação de técnicos como fator crucial a uma aceleração da industrialização. Como tal, elas intensificaram a formação técnica de segundo ciclo. Em 1966, a Escola Técnica Federal de Campos (ETFC) reestruturou seus currículos na perspectiva de associar teoria à prática, criando os Cursos Técnicos em Edificações, Eletrotécnica e Mecânica de Máquinas e, posteriormente, o Curso Técnico em Estradas. Em 1973, implantou o Curso Técnico em Química voltado para a indústria açucareira, uma das bases da economia da cidade.

 Sob a égide da Ditadura Militar de 1964, houve um forte investimento na reforma das escolas técnicas existentes e na construção de novos prédios, na definição dos padrões e, no que concerne à educação técnica, nas habilitações que seriam ofertadas aos jovens estudantes das Escolas Técnicas Federais de todo o Brasil, independente da vocação da região em que estivessem instaladas. Em torno da Lei N.º 5.692, de 11 de agosto de 1971, pôde-se observar o interesse e o encaminhamento do governo militar do período 1964-1984, em relação à proposta de ensino técnico profissional no Brasil, como compulsório no ensino de 2º grau, obrigatoriedade revogada em 1982 com a Lei N.º 7.044.

 Em se tratando das escolas federais, que serviram de motivação para o MEC, seja pela sua função histórica, seja pelo investimento de verbas oriundas do governo federal, o trabalho desenvolvido ganhava cada vez mais credibilidade. Intensificava-se a formação de técnicos, destacando, inclusive, as qualificações de acordo com áreas priorizadas pelo governo com vistas ao desenvolvimento nacional. No ano de 1974, a ETFC passa a oferecer apenas cursos técnicos em seu currículo oficial e põe fim às antigas oficinas.

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Cursos técnicos passam a ser ofertados no currículo oficial
Fonte: IFFluminense

 Neste ano, a Petrobras anuncia a descoberta de campos de petróleo no litoral norte do estado, notícia que mudaria os rumos da região e influenciaria diretamente na história da instituição. A Escola Técnica Federal de Campos, agora mais do que nunca, representa o caminho para o sonho e passa a ser a principal formadora de mão de obra para as empresas que operam na bacia de Campos. Ressalta-se que a extensão e a distribuição geográfica dessa rede de instituições federais conferem singular possibilidade ao governo brasileiro na execução de políticas no campo da qualificação de mão de obra.

 No caso específico da Escola Técnica Federal de Campos, por se localizar geograficamente em uma região menos favorecida e distante da capital, seu perfil sempre esteve mais próximo das iniciativas que estabeleciam sintonia entre educação e mundo do trabalho, com o compromisso de buscar oportunidades significativas de vida para seus alunos, oriundos de camadas populares em uma proporção aproximada de 80% de sua clientela. A partir desse período, o avanço tecnológico que se evidenciou no mundo da produção gerou outros paradigmas. Descobertas de novos materiais e avanços na microeletrônica e na microbiologia vêm revolucionando todos os aspectos da vida do homem e, consequentemente, também do sistema produtivo.

 O mundo começa a se deparar com uma ameaça crescente de desemprego estrutural, pois as novas tecnologias têm chegado com possibilidade de substituir a mão de obra ou exigido que o trabalhador adquira competências para lidar com a nova realidade numa velocidade antes desconhecida. A queda vertiginosa dos postos de trabalho, visivelmente observável, motiva, no interior das escolas federais, a necessidade de rever a formação profissional ofertada, pois o feedback dos egressos dessas escolas não era mais tão promissor quanto antes no que se referia à sua absorção pelas empresas.

 Na região de Campos dos Goytacazes, porém, essa demanda ficou um pouco embaçada pela descoberta e exploração de petróleo em águas campistas. Esse fato, favorável à nossa escola, demandou mão de obra especializada e, enquanto o município de Campos passava a ser polo de exploração de petróleo (anos de 1980), o trabalho educativo parecia ter sentido e gerava pouco questionamento, pois os egressos da formação profissional de nível médio encontravam campo farto de atuação.

 Nesse tempo, implantaram-se os Cursos Técnicos de Instrumentação e de Informática e, a seguir, os Cursos Técnicos de Segurança do Trabalho e de Meio Ambiente, dois cursos coerentes com a defesa da preservação da vida humana e do ecossistema, vertente que perpassa todos os níveis de ensino e se constitui em um dos eixos estruturais da proposta institucional.

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Curso Técnico em Meio Ambiente

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Primeira Unidade de Ensino Descentralizada – Uned Macaé

 No governo do então Presidente José Sarney, com o Programa de Expansão do Ensino Técnico (Protec) adotado pelo governo, a Escola Técnica Federal de Campos ganha a sua primeira Unidade de Ensino Descentralizada em 1993, em Macaé - Uned Macaé -, que contou com verba da Petrobras para a construção do prédio e com a doação do terreno pela Prefeitura Municipal de Macaé. Os primeiros cursos implantados vieram com o objetivo precípuo de capacitar profissionais para o trabalho nas plataformas de petróleo.

 Em finais dos anos noventa, a realidade mudara significativamente. A obsolescência dos cursos passara a preocupar tanto as escolas quanto ao governo e a Escola Técnica Federal de Campos fez-se membro ativo no movimento por uma reformulação curricular que, de fato, pudesse responder às exigências da modernidade. Como partícipe da rede de escolas, a Instituição empenhou-se, mediante discussões internas, na construção de uma proposta curricular mais coerente com a realidade do mundo tecnologizado, sem perder de vista a concepção de educação que concebia a formação humanística, científica e tecnológica, com ângulos convergentes e formadores do cidadão trabalhador, aliada a um trabalho educativo voltado para o desenvolvimento local e regional.

 Em 1996, alguns fatos de extrema relevância na educação tecnológica, tais como, a reforma do ensino resultante da nova lei de diretrizes e bases, a Lei N.º 9.394 de 20 de dezembro de 1996, toda a legislação posterior referente à reforma do ensino técnico e a transformação de Escola Técnica em Centro Federal de Educação Tecnológica, em 18 de dezembro de 1999, resultaram num crescimento de possibilidades para a Instituição no sentido de atuar com maior autonomia e nos mais diferentes níveis de formação.

 No segundo semestre de 1998, a Escola implanta o seu primeiro Curso Superior de Tecnologia em Processamento de Dados, posteriormente denominado Informática. A partir de seu reconhecimento pelo MEC, o curso passa a ser denominado Curso Superior de Tecnologia em Desenvolvimento de Software e mais recentemente (2006) Curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Estava assegurado à Instituição o direito de atuar nos Cursos Superiores de Tecnologia.

 Implantam-se assim, a partir de 2000, com o perfil da indústria, os Cursos Superiores de Tecnologia em: (a) Automação Industrial (2000); (b) Gerência de Manutenção Industrial (2000), que, em 2005, passa a denominar-se Curso Superior de Tecnologia em Manutenção Industrial; (c) Petróleo e Gás (2001), na Unidade de Ensino Descentralizada de Macaé; (d) Sistemas Elétricos (2002). Enfatiza-se que outros Cursos Superiores de Tecnologia como Telecomunicações, Design Gráfico e Produção Agrícola também foram implantados.

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Laboratório do Curso Técnico em Automação Industrial
Fonte: IFFluminense

 Com a publicação do Decreto N.º 3.462/2000, a Instituição recebe permissão de implantar Cursos de Licenciatura preferencialmente em áreas de conhecimento em que a tecnologia tivesse uma participação decisiva. Em se tratando de nossa região, que apresentava um déficit enorme de profissionais nessas áreas, a Instituição optou pelos cursos de formação de professores. Assim, em 2000, criou-se o Curso de Ciências da Natureza - Licenciatura em Biologia ou Física ou Química.

 No ano seguinte, implantam-se as Licenciaturas em Matemática e Geografia. Em 2003, o CEFET Campos começa a oferecer, gratuitamente, à comunidade cursos de Pós-Graduação Lato Sensu, a saber: (a) Produção e Sistemas; (b) Literatura, Memória Cultural e Sociedade; (c) Educação Ambiental. Em 2004, os Decretos 5.224 e 5.225, assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicados em D.O.U. em 04 de outubro de 2004, referendam o Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos como uma instituição de ensino superior, equiparando-o a Centro Universitário.

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Biblioteca do Campus Campos Centro
Fonte: IFFluminense

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Fachada da Unidade de Ensino Descentralizada no distrito de Guarus
Fonte: IFFluminense

 O diálogo do CEFET Campos com os municípios próximos, fruto do fortalecimento de sua política de interiorização e de participação no desenvolvimento regional, se intensificara. Ações concretas têm início e começam a surgir os Núcleos Avançados em parceria com as prefeituras dos municípios de Arraial do Cabo, Quissamã, São João da Barra e Rio das Ostras. A partir de 2005, instauram-se os Cursos de (a) Bacharelado em Engenharia de Controle e Automação Industrial (2005), em Campos dos Goytacazes e em Macaé no ano de 2006; (b) Pós-Graduação Stricto Sensu Profissionalizante em Engenharia Ambiental (2006), em Campos dos Goytacazes e Macaé.

 Ainda em 2005, inicia-se uma proposta de curso técnico integrado para jovens e adultos, especificamente para aqueles que não conseguiram construir sua trajetória profissional na idade própria firmada em lei - o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja).

 A implementação do Curso de Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo, a adesão do CEFET Campos ao PROEJA e a criação de novos cursos de Pós-Graduação Lato Sensu marcou o ano de 2006. Nesse mesmo ano, inicia-se a construção da Unidade de Ensino Descentralizada, no distrito de Guarus, distante da sede apenas cinco quilômetros, mas mergulhada numa realidade de vulnerabilidade social. A referida unidade representa a opção política da instituição pelos menos favorecidos e a decisão de democratizar o conhecimento e transformar a realidade local.

 Com a ampliação das ações extensionistas, no ano de 2006, uma Unidade de Pesquisa e Extensão Agroambiental (UPEA) foi criada no município de Campos dos Goytacazes, na BR-356, Campus São João da Barra à margem do rio Paraíba do Sul. As ações desenvolvidas na UPEA objetivam não só a realização de pesquisas nos ecossistemas existentes na área de abrangência do IFFluminense, como também o desenvolvimento e a difusão das tecnologias, por meio da extensão, voltadas principalmente para micro e pequenos produtores da região com perfil de Agricultura Familiar (AF). 

 Mais que uma unidade de pesquisa, a UPEA se apresenta como um espaço compartilhado com o objetivo de agregar diferentes instituições e projetos voltados para as questões ambientais, concorrendo assim para o desenvolvimento local e regional.

 O Plano de Expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, implantado pelo governo em 2006, fortaleceu a luta da Instituição em favor da região e o diálogo com os governos locais possibilitou a conquista de mais duas unidades de ensino: uma na mesorregião Baixadas, com sede na cidade-polo Cabo Frio e outra na mesorregião Noroeste, cidade-polo Itaperuna.

 Os critérios utilizados pelo Governo Federal para definição dos locais dessas novas unidades reforçam e consolidam a decisão já adotada pelo CEFET Campos de promover ações para o desenvolvimento humano sustentável da região. No ano de 2008, o então CEFET Campos implantou o Curso de Graduação - Bacharelado em Sistemas de Informação - na unidade sede Campos dos Goytacazes.

 O compromisso social e a responsabilidade com que assume suas ações traduzem a concepção de um projeto que o fortalece como instituição de educação profissional e tecnológica, que busca potencializar o indivíduo no desenvolvimento de sua capacidade de gerar conhecimentos, a partir de uma prática interativa e postura crítica diante da realidade.

 Sempre dialogando com a sociedade e sem jamais desprezar a sua principal vocação de instituição de formação profissional, o CEFET Campos já atuava em níveis diferenciados de ensino: na Educação Básica (Ensino Médio), EJA (Fundamental e Médio), PROEJA (Programa de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade Jovens e Adultos), na Formação Inicial e Continuada de trabalhadores, na Educação Profissional e Tecnológica, no Ensino Superior (Graduação e Pós-Graduação) e na Pesquisa e Extensão. Seu fazer pedagógico sempre se traduziu por um convite permanente à reflexão sobre uma pedagogia da inclusão e pelo estabelecimento de um diálogo com a realidade. 

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Imagem aérea da Unidade de Pesquisa e Extensão Agroambiental (Upea)

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Foto aérea do Campus Cabo Frio
Fonte: IFFluminense

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Imagem aérea do Campus Itaperuna
Fonte: IFFluminense

 No ano de 2006, a educação profissional e tecnológica passa por um novo processo de reestruturação a partir da iniciativa do MEC junto ao Conselho Nacional de Educação (CNE), decorrente do Parecer CNE/CES N.º 277. Haveria, neste contexto, a necessidade de uma reorganização dos cursos superiores de tecnologia, por poucos eixos tecnológicos e mais compactos, diante da organização por áreas profissionais definidas no Parecer CES/ CNE N.º 436/2001 encontrar-se superada e não contribuir para o desenvolvimento industrial. No Parecer CNE/CES N.º 277/2006, os conselheiros reforçaram a importância da flexibilidade como sendo uma necessidade a ser conseguida a partir da interdisciplinaridade (AZEVEDO; COAN, 2013).

 Na data de 24 de abril de 2007, o Decreto N.º 6.095 estabelece as diretrizes para o processo de integração de instituições federais de educação tecnológica, para fins de constituição do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET), no âmbito da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Neste, foi delineado que os IFETs se caracterizam como instituições de educação superior, básica e profissional, pluricurricular e multicampi, especializadas na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos às suas práticas pedagógicas (Art. 01, § 2º). No que diz respeito à implantação dos Institutos, deve-se levar em consideração bases territoriais definidas, como dimensão geográfica e as características históricas, culturais, sociais e econômicas (Art. 01, § 3º).

 Segundo esse documento, a vocação dos Institutos é formar e qualificar profissionais para os diversos setores da economia, em estreita articulação com os setores produtivos e a sociedade (Art. 4, § 1º, I), visando à consolidação e fortalecimento dos arranjos produtivos locais (Art. 4, § 1º, III), bem como estimular e apoiar processos educativos que levem à geração de trabalho e renda (Art. 4, § 1º, IV). Em relação à oferta de educação superior, objetiva-se formar profissionais para os diferentes setores da economia (Art. 4, § 1º, VII, a). Nesse processo de expansão da Educação Profissional e Tecnológica, o governo federal, por meio da Lei N.º 11.892, de 29 de dezembro de 2008, publicada no D.O.U. de 30 de dezembro de 2008, institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e cria o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense.

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Luiz Inácio Lula da Silva com os Ministros na criação dos Institutos Federais

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Fachada do Campus Quissamã

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Foto aérea do Campus Avançado São João da Barra

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Entrada da Fazenda Santo Antão, doada para instalação do Campus Avançado Cambuci.

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Fachada do Campus Santo Antônio de Pádua

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Imagem aérea das obras do Campus Maricá

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Fachada do Centro de Referência

 O novo desenho, em 2009, traz outra dimensão ao trabalho institucional: tornávamo-nos assim um sistema que integra seis campi: (a) na mesorregião Norte Fluminense, três campi: Campos Centro e Campos Guarus, no município de Campos dos Goytacazes, e Macaé no município de Macaé; (b) na mesorregião Baixadas, o Campus Cabo Frio (região dos Lagos); (c) na mesorregião Noroeste Fluminense, os campi Bom Jesus do Itabapoana – antigo Colégio Técnico Agrícola Ildefonso Bastos Borges da Universidade Federal Fluminense (UFF) - e Itaperuna.

 Em fevereiro de 2010, implanta-se, na mesorregião Norte Fluminense, o sétimo campus denominado Campus Avançado Quissamã, que três anos depois passaria a condição de campus garantindo à unidade mais autonomia administrativa e financeira para ampliar suas atividades que haviam começado desde 2006, por meio de parceria com a Prefeitura Municipal.

 Também fruto de uma exitosa parceria com o poder público municipal, tem-se a autorização de funcionamento do Campus Avançado São João da Barra em junho de 2014. Contudo, as ações do Instituto neste município haviam se iniciado em 2002, sendo exemplo para tantas outras que se seguiriam, e ampliando o papel da instituição como copartícipe do desenvolvimento local e regional. 

 A expansão da Rede Federal também foi caracterizada pela interiorização de suas unidades o que multiplicou oportunidades de acesso à educação de milhares de jovens e adultos, ampliando o direito ao conhecimento e ao trabalho, por meio da educação inicial e continuada de trabalhadores e da formação técnica de nível médio ou em nível superior, forçando mudanças estruturais na pirâmide social. Neste contexto é que em 2012, o Núcleo Avançado Cambuci iniciou suas atividades após a doação da Fazenda Santo Antão, com 50 hectares de área de terras, pelo governo municipal, passando a condição de Campus Avançado, em 2014.

 Em 2015, instituído pela Portaria Nº 27, de 21 de janeiro de 2015, entrou em funcionamento o Campus Santo Antônio de Pádua com uma proposta diferenciada: oferta dos Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio por Eixos Tecnológicos nas áreas de Controle e Processos Industriais, Gestão de Negócios e Infraestrutura. Tal proposta não pode ir adiante em virtude das restrições governamentais referentes aos códigos de vaga de professor e técnicos-administrativos.

 É válido ressaltar que em 2015, concomitante com o início de atividades em Santo Antônio de Pádua, teve início as ações na Unidade de Formação Cordeiro, que é vinculada ao Campus Santo Antônio de Pádua, com cursos na área de metal-mecânica. Ofertando os cursos técnicos integrados ao ensino médio nas áreas de Administração, Automação Industrial, Edificações, além dos concomitantes em Edificações, Automação Industrial e Mecânica, este em Cordeiro; cursos de qualificação na área de administração e uma especialização em cultura, patrimônio e educação, o Campus Santo Antônio de Pádua chega ao seu quarto ano com aproximadamente 700 alunos.

 Neste mesmo ano e seguindo a mesma proposta pedagógica inicial do Campus Santo Antônio de Pádua, também entrou em funcionamento o Campus Avançado Maricá, o primeiro na região Metropolitana do estado do Rio de Janeiro, em uma parceria com a Prefeitura Municipal que cedeu um espaço provisório. A sede definitiva da unidade, em uma área de 42.000 m², está sendo construída pelo poder público municipal e foi inaugurada em 11 de março de 2019. Também na região metropolitana, encontra-se em construção o Campus Itaboraí.

 É em 2015 também que se inaugura o Centro de Referência em Tecnologia, Informação e Comunicação para o desenvolvimento de ações relacionadas à educação profissional e tecnológica, com o objetivo de ampliar os diálogos necessários à educação com vistas à produção, apropriação e inovação do conhecimento. Assume assim, o compromisso de contribuir para a qualidade dos processos educacionais da região de atuação do Instituto, empreendendo ações que invistam na formação continuada dos docentes, na educação à distância e na produção de tecnologias educacionais. Atualmente, é onde funciona a sede da Reitoria do IFFluminense.

 Em seu compromisso de contribuir para o desenvolvimento local e regional por meio do desenvolvimento de tecnologia e inovação, o Instituto Federal Fluminense deu um importante passo ao se candidatar a Polo de Inovação em Chamada Pública da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII). O Polo de Inovação Campos dos Goytacazes, sediado na antiga Upea, foi uma das cinco propostas aprovadas em toda a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, em 2015.

 A unidade é composta por laboratórios onde são desenvolvidas ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de monitoramento e instrumentação para o meio ambiente com foco em recursos hídricos, energia e resíduos, de forma a promover uma gestão eficiente dos recursos naturais dentro das indústrias que atuam na área de abrangência do IFFluminense.

 Adicionalmente, como consequência da transformação em Polo de Inovação, foi incorporado a sua estrutura o Centro de Referência em Sistemas Embarcados e Aeroespaciais (CRSEA). Tais ações fizeram do Polo um Centro Multiusuário consolidado, onde são desenvolvidas ações de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), extensão tecnológica e ensino. Seu objetivo central é ser o braço executivo e da política de PDI do Instituto, além de apoiar o setor produtivo e Instituições de Ciência e Tecnologia parceiras na execução de projetos, além de prestar serviços tecnológicos e disseminar conhecimento associado às suas áreas de atuação.

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Laboratório instalado no Polo de Inovação
Fonte: IFFluminense

 Nos dias atuais, no movimento de territorialização, o Instituto Federal Fluminense encontra-se em 12 municípios com uma malha espacial que alcança 12 campi, um Polo de Inovação, um Centro de Referência em Tecnologia, Informação e Comunicação na Educação, uma Unidade de Formação em Cordeiro e a Reitoria, reunindo 15.666 estudantes, 952 professores e 713 técnico-administrativos (dados atualizados em junho/2020).

 O Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos, ao se transformar em Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, procurou, mediante um debate coletivo com representação de todos os campi e núcleos avançados, estabelecer um referencial teórico para essa nova institucionalidade definindo, no documento intitulado “Carta de Cabo Frio”, a base científica para essa nova forma de intervenção na sua área de abrangência local e regional. A transformação em IFFluminense representa mais que a mera expansão quantitativa espacial e de políticas públicas.

 Assim sendo, entende-se que essa reconfiguração requer uma mudança de paradigma: transformar a simples união das unidades isoladas em um todo, em sinergia. Essa configuração impõe desafios que dizem respeito à nova forma de tratar sistemas complexos, extremamente entrópicos, que exigem um incremento crescente de energia no processo de organização em que o coletivo é resultado das partes em ação. Em outras palavras, não se consegue entender e organizar um sistema a partir de uma análise isolada de suas unidades e da mera montagem do seu desenho.

 Há que se entender os fluxos de informação e as trocas que permeiam e circulam por essa rede, na perspectiva de se construir um pensamento sistêmico (CAPRA, 2004). De Aprendizes Artífices a CEFET Campos, foram muitas as conquistas e cada uma delas nos impulsiona a abandonar velhas crenças e práticas e a assumir novos valores e desafios. Basta refletir a trajetória histórica dessa instituição para ratificar o quanto se cresceu institucional e individualmente na coletividade. Cada uma das conquistas é o resultado da produção coletiva crescente dos servidores, que possibilita o crescimento do aluno e da produção social e econômica da região de sua abrangência.

 Ao longo do tempo, as mudanças promovidas consolidaram o IFFluminense. Ressaltam-se as diversas transformações, a saber: de Aprendizes Artífices para Escola Técnica Industrial; de Escola Técnica Industrial para Escola Técnica Federal; de Escola Técnica Federal para Centro Federal de Educação Tecnológica e de Centro Federal de Educação Tecnológica para Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia.

 Hoje, o desafio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, instituição de educação superior, básica e profissional, consiste em construir um sistema pluricurricular e multicampi, especializado na oferta de educação profissional e tecnológica nos diferentes cursos ofertados, a saber: Cursos Técnicos de Nível Médio; Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio por Eixo Tecnológico; Cursos Técnicos Integrados ao Ensino Médio; Proeja; Educação a Distância; Cursos Superiores de Bacharelado, Licenciatura e de Tecnologia; Pós-Graduação Lato Sensu; Pós-Graduação Stricto Sensu. Com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos com suas práticas pedagógicas, que represente a consolidação de um projeto institucional fundamentado no trabalho coletivo e colaborativo.