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Abril Indígena: cultura e informação desconstroem estereótipos e promovem conhecimento

Cultura

Evento recebeu estudantes e profissionais de escolas bonjesuenses e de municípios vizinhos. Mais de 800 pessoas participaram da programação.
por Comunicação Social do Campus Bom Jesus do Itabapoana publicado 04/05/2018 13h00, última modificação 18/05/2018 12h47
Exibir carrossel de imagens A indígena Opetahra Puri  faz parte do movimento que luta pelo reconhecimento da etnia Puri, considerada
extinta no Brasil.

A indígena Opetahra Puri faz parte do movimento que luta pelo reconhecimento da etnia Puri, considerada extinta no Brasil.

Quem chega ao Campus Bom Jesus rapidamente constata: o Abril Indígena acabou, mas as marcas do evento ficaram. Seja nas fotos ainda expostas no hall do Bloco de Ensino, nos adereços vistos nos cabelos de alunas e professoras ou nas reflexões nascidas a partir dos relatos, debates, atividades e exposições do último dia 25, o evento continua ecoando pelos corredores do campusAprendizado foi a palavra usada pelos participantes para resumir a experiência, enriquecida pela presença de representantes indígenas, estudiosos e interessados pelo tema.

Tudo começou no dia anterior, dia 24 de abril, com uma roda de conversa sobre a temática indígena para educadores. Servidores do IFF, de escolas da rede pública estadual e municipal de Bom Jesus e estudantes universitários de Campos dos Goytacazes participaram da capacitação oferecida por profissionais do setor educativo do Museu do Índio, que também promoveram uma exposição de obras de arte, bonecas, fotos e instrumentos característicos de várias etnias indígenas durante toda a quarta-feira.

O caráter interdisciplinar do Abril Indígena chamou a atenção dos presentes. De palestras a oficinas, vários aspectos e conhecimentos foram apresentados pelos convidados e professores da casa. A primeira atração do dia foi uma emocionante apresentação do coral ensaiado pela professora de artes Camila Gomes, com alunos dos cursos técnicos em Agropecuária e Alimentos cantando duas músicas indígenas.

A mesa de abertura proporcionou o início do debate que teria continuidade nas atividades do dia e depois dele: oficinas sobre astronomia, literatura, educação, direitos humanos, agricultura, artes, cultura e até arquitetura foram ministradas com base no conhecimento indígena de etnias brasileiras. “Temos muito a aprender com os nossos povos indígenas originários. São conhecimentos que ultrapassam o nosso entendimento na área de todos os saberes, etnosaberes importantíssimos que esses povos guardam”, explica a professora Tatiana Sena, coordenadora do evento.

Para Ademilson Concianza e Gilearde Barbosa, índios da etnia Guarani Kaiowá, foi emocionante a oportunidade de falar sobre seu povo, cultura, e de quebrar o estereótipo do índio predominante na sociedade. Esta foi a primeira vez que eles foram convidados para palestrar em uma escola não indígena. “Eu me senti muito valorizado. É uma responsabilidade muito grande, porque não estamos representando apenas nossa etnia ou a nós mesmos. Estamos aqui por toda nossa comunidade, tentando mostrar que ainda mantemos nossa cultura viva.”, afirma Gilearde.

O interesse dos alunos e professores foi motivador para eles, que responderam a perguntas e falaram sobre sua atuação profissional. Estudantes de cinema, Ademilson, Gilearde e Michele Perito, esta também da etnia Guarani Kaiowá, usam o audiovisual como instrumento de luta e resistência de seu povo e acreditam que a informação é a ferramenta para desconstrução da ideia genérica sobre o índio que precisam combater diariamente. “As pessoas devem procurar saber sobre os indígenas do Brasil, sobretudo sobre as várias etnias. Buscar informações na internet, nas redes sociais; ensinar nas escolas, para que conheçam nossa realidade”, incentiva Ademilson.

Conhecer essa realidade tornou-se uma motivação para a ex-aluna do IFF Bom Jesus Bianca Melo, que sonha cursar Ciências Sociais. “Quero aprender mais e tentar ajudar essas populações indígenas, que estão tão perto e ao mesmo tempo tão longe. A cada ano o evento me surpreende mais, trazendo coisas que nunca soube e que nem imaginava; histórias sensacionais, palestras que mexem bastante com a gente”, conta, lembrando o quanto se comoveu com a espiritualidade demonstrada pelos representantes indígenas palestrantes.

Mostra de Cinema Indígena – O Abril Indígena também foi o marco inicial da 1ª Mostra de Cinema Indígena do IFFluminense, que percorrerá todos os campi com exibições de documentários sobre o tema. “Essa jornada trará uma dupla reflexão: a primeira, sobre a produção audiovisual em si; a outra, sobre o uso do audiovisual na educação e no ensino de conteúdos indígenas”, antecipa o professor Rafael Tardin, responsável pela Mostra.

O documentário “Do Novembro Negro ao Abril Indígena: em Busca da Terra sem Males” foi exibido pela primeira vez na abertura da Mostra. Produzido por alunos e servidores do Campus Bom Jesus, o roteiro levanta o debate a respeito do genocídio indígena e o papel do índio na sociedade brasileira, abordando temas como resistência e aculturação.

O professor e coordenador do Centro de Memórias do IFF Campus Itaperuna, Eduardo Lucindo, participou com seus alunos e elogiou a iniciativa. “Temos evoluído muito na instituição em relação aos Novembros Negros, mas sempre ficou aquela questão: e os indígenas? Bom Jesus tem se destacado com vários eventos valorosos de extensão, trazendo uma formação crítica para seus alunos, a despeito de toda formação técnica que já é tradicional”, parabenizou.

Em breve o documentário será disponibilizado no canal do Cineclube Debates no Youtube.

 Confira mais fotos do Abril Indígena na página do Campus Bom Jesus no Facebook.