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Novembro Negro celebra a cultura afro-brasileira e promove integração no Campus Bom Jesus

Consciência Negra

Evento recebeu representantes do movimento negro, artistas e participantes de diversos municípios da região, oferecendo programação durante os três turnos do dia.
por Comunicação Social do Campus Bom Jesus do Itabapoana publicado 08/11/2018 16h45, última modificação 09/11/2018 09h07
Exibir carrossel de imagens Professoras moçambicanas compartilharam experiências em oficinas literárias.

Professoras moçambicanas compartilharam experiências em oficinas literárias.

Resistências. Uma única palavra resumiu a temática do Novembro Negro 2018, realizado nessa quarta-feira, dia 07 de novembro, pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Campus Bom Jesus do Itabapoana. O tema homenageia os sambistas Wilson Moreira e Dona Ivone Lara e a vereadora Marielle Franco, representantes da cultura e da luta do movimento negro no Brasil, falecidos em 2018. Palestras, oficinas e muitas atrações culturais marcaram o evento, cuja proposta é ampliar as formas de entender e refletir sobre diferentes aspectos da nação brasileira a partir da vitalidade da cultura e do legado civilizatório dos diversos povos africanos e seus descendentes no Brasil.

A mesa de abertura foi composta pelas professoras Moçambicanas Alice Ali, Flora Armando, Tânia Nhacolola e Mariana Rapalião, que estão no IFFluminense para uma capacitação na área agroindustrial; os representantes do Movimento Afro-brasileiro de Itaperuna (Moabi) Ângela Lima e José Luiz “Borracha”; e o mestre de capoeira André Oliveira, conhecido como Marreta.

Ex-lanterneiro, José Luiz encontrou na educação um meio de combater o preconceito e a discriminação. Há 30 anos ele atua em escolas públicas estaduais e municipais de Itaperuna (RJ) e acredita que a educação é o caminho para transformar a sociedade. “A escola nos transforma e nos dá possibilidades de inserção e inclusão. Mais do que nunca é importante darmos as mãos e avançarmos em aprender nossa história. Um povo que não conhece sua história é como uma árvore sem raiz; precisamos conhecer nossas origens”, afirma. Conviver com as diferenças, debater assuntos como liberdade, resistência, política e pluralidade cultural, são, segundo ele, as mais importantes contribuições de eventos como o Novembro Negro: “são aspectos importantes para nossa vida e é fundamental que estejamos juntos discutindo e buscando igualdade de direitos, condições de trabalho melhores, entre outras coisas. Só vamos fazer isso se estivermos juntos – sozinhos não chegamos a lugar nenhum”

Essa união foi destacada pelo coordenador do evento, professor Guilherme Lemos, como fundamental para a realização do Novembro Negro, cuja proposta também busca cumprir a função social de agregar pessoas e motivá-las a pensarem e atuarem juntas”, disse, enfatizando a importância de contar com a presença de movimentos sociais, artistas e participantes bonjesuenses e de municípios vizinhos. Rappers de Itaperuna (RJ); o grupo Pérolas Negras, de Santo Antônio de Pádua (RJ); o poeta Thiago Yuri, de São Fidélis (RJ); e o dançarino Douglas Luiz de Castro, conhecido como Zói, foram alguns dos convidados para a programação.

Douglas é ex-aluno do IFF e já participa como palestrante há três edições, ministrando a oficina de dança. Sua experiência vem de berço, herdada da mãe. Ele conta que, quando estudante do Campus Bom Jesus, era considerado um “aluno problemático” e foi a partir de uma atividade de dança proposta pela professora Karina Neves que seu interesse pelas atividades acadêmicas aumentou. Desde então, todos os anos Douglas retorna à instituição para levar os participantes do Novembro Negro a fazerem o que ele mais gosta. Samba, funk, eletrônica e hip hop foram alguns dos estilos coreografados nesta edição e, mais do que a alegria de ver alunos gravando seus passos, sua verdadeira satisfação está em testemunhar superações. A melhor coisa para mim é isso: notar a coragem de aprender; vencer a timidez e aprender”, confessa. Para ele, dança representa alegria, traço marcante do povo negro que não pode faltar em suas aulas. O coreografo já pensa nas próximas edições: “espero ser convidado de novo, mas se não for, com certeza estarei aqui prestigiando como participante”, assegura.

Oficina de Dança Novembro Negro

Douglas (no centro, à frente) ministra oficina
de Dança no Novembro Negro desde 2016.

Novidade foi para Eduarda Borges, estudante do 1º ano do curso técnico em Agropecuária que participou pela primeira vez. Ela se inscreveu no seminário “Análise histórica sobre a obra cinematográfica Cidade de Deus”, que trouxe à discussão temas como o preconceito e a formação de favelas no Brasil. “Ouvindo depoimentos de pessoas que foram discriminadas, reforcei meu pensamento de que não é pela cor ou pela classe social que somos diferentes e que pode haver discriminação”, conta. Ela elogiou a iniciativa, pela oportunidade de se informar melhor sobre questões como cotas raciais, por exemplo, e a contribuição dos negros para a formação do Brasil.

A programação também incluiu batalha de rap, apresentações de dança, atividades culinárias e desfile de moda. Foi encerrada com capoeira, sob a liderança do Mestre Marreta, e uma animada roda de samba que reuniu os presentes em uma noite de integração e alegria. O diretor-geral do Campus Bom Jesus, Carlos Freitas, reforçou a importância de realização do evento. “Esta é uma forma também de estarmos numa luta por uma escola pública libertária em sua formação, e além disso, essa é mais uma das nossas ações que demonstram o verdadeiro Ensino Integrado”, finalizou.

Feiras - O projeto "Rede Sabores e Saúde", coordenado pelo professor Eduardo Moreira, marcou presença no Novembro Negro com uma feira agroecológica. Frutas, legumes, verduras, doces e outras produções de agricultores familiares da região foram comercializadas durante toda a manhã e, na ocasião, os clientes também puderam receber suas encomendas solicitadas anteriormente pela internet. O projeto realiza entregas mensalmente, mediante pedido prévio, enviado à coordenação por e-mail. Os interessados em conhecer e adquirir os produtos  devem enviar uma mensagem para saboresaude.bomjesus@iff.edu.br. Mais informações estão disponíveis no site do projeto.

Cestas Solidárias no Novembro Negro

Produtos agroecológicos foram comercializados durante o evento,
beneficiando a agricultura familiar da região.

A Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares do IFF (ITCP/IFF) estendeu a programação, com a Feira de Economia Solidária e Agricultura Familiar, realizada nesta quinta-feira, dia 08 de novembro, na Praça da Bíblia de Bom Jesus do Itabapoana. Além dos produtos comercializados pelos agricultores familiares da região, o evento ofereceu programação musical, exposições e oficinas aos presentes.

Veja mais fotos do Novembro Negro 2018 na página do IFF Bom Jesus no Facebook: https://www.facebook.com/iffluminensebomjesus/