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Inclusão de estudantes com deficiência visual no ensino de Geografia é discutida

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A palestra “Desafios e experiências no ensino de Geografia com alunos cegos” foi realizada nesta quarta-feira, 31 de julho, no Auditório Miguel Ramalho.
por Comunicação Social do Campus Campos Centro publicado 31/07/2019 13h39, última modificação 31/07/2019 13h39
Exibir carrossel de imagens Mesa-redonda que discute os desafios do ensino de Geografia para alunos cegos. (Foto: Letícia Cunha)

Mesa-redonda que discute os desafios do ensino de Geografia para alunos cegos. (Foto: Letícia Cunha)

Aguardando o início da palestra, às 9h30, inscritos e curiosos puderam aprender mais sobre a aplicação de mapas táteis na educação de Geografia. Na entrada do Auditório Miguel Ramalho, algumas produções de cartografia feitas pelo Núcleo de Apoio a Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais (NAPNEE) foram expostas, no intuito de introduzir a discussão seguida na mesa.

Com a assistência de alunos do curso de Geografia na explicação dos mapas e materiais usados, o público pôde tatear nos instrumentos que são utilizados em turmas de Ensino Médio do IFF Campos Centro, nas aulas da área de conhecimento. Caio Crespo Moraes, 22 anos, licenciando do 3º período de Geografia, considera a exibição desses elementos do ensino um auxílio para “apresentar à comunidade a existência dessas tecnologias, dos materiais e das necessidades em ter isso. A pessoa cega também pode ter percepções desses elementos e os mapas táteis são recursos que ajudam a mediar essa compreensão”.

Também bolsista do NAPNEE, o estudante reconhece que há maneiras variadas de integrar alunos deficientes visuais no processo de ensino-aprendizagem e faz sugestão: “A disciplina de Geografia, assim como outras, historicamente é muito gráfica, muito visual. Por eles (mapas táteis), o aluno tem condições equivalentes a aprendizagem. A mesma sala de aula pode trabalhar com estudantes que enxergam utilizam elementos impressos e tintas, o estudante cego pode estar junto, utilizando material em alto-relevo, não separando em grupos. Aí ocorre a inclusão”, finaliza Caio Crespo.

Uma performance musical feita por estudantes do Educandário para Cegos São José Operário agitou quem estava presente, com repertório de músicas sertanejas, prosseguido com a composição da mesa pelos convidados e palestrante. De acordo com o professor doutor Linovaldo Miranda Lemos, “a geograficidade diz respeito do estar no mundo, do ser no mundo. Envolve o ambiente, a percepção dos lugares, as paisagens, o sentir parte de um todo. E todos os lugares possuem sons, as marcas sonoras próprias de alguns elementos, assim como cheiros”. Essa examinação praticada serve para que, “tanto para quem enxerga quanto para cegos, uma imagem mental e imagem afetiva do lugar em que está seja criada, a ponto de não precisar enxergar para visualizar o entorno”.

Adaptação – Sirley Brandão dos Santos, coordenadora do NAPNEE defende que “é possível um aluno com deficiência visual – apesar da disciplina ser muito gráfica – ter condições de chegar até lá”. Fundamentando-se em dados e leis, a coordenadora afirma que é “assegurada às pessoas com deficiência o direito à educação” na Lei Brasileira de Inclusão, artigo 27. Além disso, “materiais adaptados, tecnologias assistivas e tudo mais que pode proporcionar ao aluno condições para acompanhar a aula em igualdade com os demais” devem ser disponibilizados para o discente com necessidade.

Os números de deficientes visuais no Brasil são: cegos, em torno de 500 mil; baixa visão, 6 milhões. No mundo, o número chega a 36 milhões de cegos e 217 milhões com baixa visão. Ainda segundo a coordenadora, há a previsão da Organização Mundial de Saúde que no próximo ano, 2020, esse número dobre. Então é certo que os licenciandos de hoje receberão ao menos um aluno com essa condição e, por isso, devem aprender como o ensino pode ser concedido adequadamente nesses casos – constata Sirley Brandão.