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Palestra e debate discutem Educação e desigualdade

Reditec 2018

Reflexões e propostas para a defesa da educação pública marcam o quarto dia de debates na Reditec.
por Cristina França (Ifes) publicado 13/09/2018 20h49, última modificação 14/09/2018 11h19
Exibir carrossel de imagens Naomar Almeida falou sobre os desafios da globalização. (Gildo Júnior - IFRR)

Naomar Almeida falou sobre os desafios da globalização. (Gildo Júnior - IFRR)

 “A escola pública é a máquina de fazer democracia”. Com a frase do professor Anísio Teixeira, e outras tantas observações impactantes e propostas de reflexão, a palestra intitulada “A sociedade brasileira e os desafios da Globalização”, proferida pelo professor Naomar de Almeida Filho, Ph.D. em Epidemiologia e ex-reitor da Universidade Federal da Bahia, abriu os trabalhos do quarto dia da 42ª Reunião Anual dos Dirigentes das Instituições Federais de Educação Profissional e Tecnológica, a Reditec 2018.

 Fazendo um percurso sobre a gênese do Estado brasileiro, que teve como base o regime escravocrata e a manutenção de privilégios de classe, passando pela crise do Estado de Bem-Estar Social, e pelas implicações do neoliberalismo sobre nações como o Brasil, em suas palavras, que estão de forma subordinada na globalização, o professor evidenciou como a educação pode assumir o perverso papel de reprodução de desigualdades e iniquidades.

 Ele demonstrou como a educação brasileira reproduz desigualdades por estar estruturada em um sistema tributário injusto, onde os pobres pagam mais impostos, proporcionalmente, que os mais ricos. As pessoas de menor renda custeiam os serviços públicos, entre eles, as  instituições de ensino superior, cujas vagas são majoritariamente ocupadas por pessoas oriundas das classes mais altas. “A política mais capaz de romper os ciclos de produção e reprodução das desigualdades foi feita de modo limitado. A expansão das redes de ensino superior e de ensino médio técnico integrado foi grande, porém insuficiente”, afirmou o professor.

 No mesmo sentido, Almeida Filho apresentou o paradoxo da formação de professores brasileiros: que forma nas faculdades privadas os docentes que atuarão nas escolas públicas, enquanto as universidades públicas, de melhor qualidade, formam aqueles que atuarão nas escolas particulares.

Agenda de atuação
 Em defesa da educação pública, o professor propôs aos participantes uma agenda para a construção de uma “educação libertadora”, capaz de romper com uma dinâmica de segregação, exclusão e desigualdades. Entre os dez pontos apresentados por ele, se destacam: a recriação do conceito de educação universitária, que não pode se limitar à treinar profissionais; a promoção de competência tecnológica crítica, observando os princípios e valores que orientam o fazer; e a valorização da formação para a sensibilidade ecossocial, superando a sensação de anestesia e apatia em relação à questões sociais e ambientais.

 Após a apresentação, os participantes da Reditec 2018 assistiram ao debate mediado pelo reitor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Wyllys Farkatt Tabosa, que teve a participação do assessor do Secretário Geral da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), Paulo Speller; da professora e pesquisadora na Escola Técnica Estadual Prof. Carmelino Corrêa Júnior de Franca (SP), Joana D'Arc Félix; do diretor-geral do Centro de Iniciação à Pesquisa (CIRADD), do Canadá, David Bourdages; e do ex-reitor  do Instituto Federal do Ceará, Francisco Sobral.

 Tratando das potencialidades de integração regional para fortalecer as instituições públicas e a inserção do Brasil no cenário global, o assessor do Secretário Geral da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), Paulo Speller, apontou como oportunidade a internacionalização dos Institutos Federais e formação de parcerias com instituições dos países vizinhos.

Experiências compartilhadas
 O diretor-geral do Centro de Iniciação à Pesquisa (CIRADD), do Canadá, David Bourdages, explicou sobre os Centros de Transferência de Tecnologia (CCTTs) que ajudam pequenos e médios negócios a inovar, beneficiando as comunidades em que estão inseridas, ao mesmo tempo em que efetiva ações locais para intervir em questões que são globais.

 Também tratando de práticas que promovem mudanças nas comunidades, a professora Joana D'Arc Félix, vencedora de dezenas de prêmios nacionais e internacionais ligados à pesquisa e inovação, contou como optou por trabalhar com estudantes em situação de vulnerabilidade social, desenvolvendo projetos com impactos social e ambiental, resgatando em seus alunos autoestima e despertando o interesse pelo conhecimento científico.

 Para encerrar o debate, o professor Francisco Sobral apontou que apesar dos modismos que influenciaram a direção das políticas educacionais nos últimos anos, a qualidade da Rede Federal se manteve. Entretanto, reforçou a importância da escolha de uma via crítica do papel da educação na sociedade brasileira. “Nesse momento político delicado que vivemos hoje, devemos defender os princípios que nortearam a qualidade da educação que oferecemos, que tem o trabalho, e não o mercado, como princípio educativo”, defendeu ele.

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