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Novembro Negro destaca cultura afro-brasileira e promove debate sobre racismo no Campus Bom Jesus

Consciência Negra

Evento aconteceu na última quarta-feira, dia 22 de novembro, e contou com a participação de cerca de 600 pessoas.
por Comunicação Social do Campus Bom Jesus do Itabapoana publicado 24/11/2017 11h00, última modificação 27/11/2017 11h48
Exibir carrossel de imagens Palestras abordaram temas como preconceito, história, e cultura.

Palestras abordaram temas como preconceito, história, e cultura.

Celebrado em 20 de novembro, o dia da Consciência Negra é dedicado à conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura brasileira. Neste ano, o dia 22 ganhou esse caráter para os cerca de 600 participantes que se reuniram no Instituto Federal Fluminense Campus Bom Jesus para debaterem sobre os temas relacionados à história, luta e resistência negra no Brasil. Alunos, servidores, membros de movimentos sociais da região e a comunidade compartilharam experiências que se tornam mais ricas a cada nova edição do Novembro Negro, promovido pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), em parceria com diversos projetos da instituição.

“Temos uma estatística vergonhosa para vencer quando falamos da população afrodescendente no nosso país. Fazer eventos como esse é pautar a luta, a resistência que ainda precisamos ter. Todos os dias deviam ter um 20 de novembro para lutarmos e trazer à tona uma educação realmente emancipatória, libertária e que trata a diversidade”, avalia a professora Tatiana Sena, coordenadora do Neabi. Para ela, o maior trunfo do evento é incentivar a reflexão pautada na importância da população afrodescendente para o país. “O evento, na verdade, é só a pontinha do que deveríamos fazer como escola e instituição de educação o ano inteiro, que é educar para as relações étnico-raciais, para abarcarmos o máximo possível da diversidade que nos forma, que nos molda enquanto brasileiros”, acrescenta. Nesse sentido, o Novembro Negro cumpre o papel estabelecido pela Lei 11.645/08, que tornou obrigatório o ensino da História e da Cultura Afro-Brasileira e Indígena no currículo da educação básica.

As 14 horas de programação contemplaram atrações culturais, rodas de debate, oficinas, palestras e minicursos, abordando os mais diversos temas – saúde, cultura, beleza, tradição, religião, entre outros. Ao todo, 41 atrações foram disponibilizadas aos participantes. Pela primeira vez no evento, a blogueira Roberta Silva ministrou uma oficina sobre turbantes, transição capilar e autoestima. “Pude compartilhar minha experiência e mostrar para algumas meninas que sofreram preconceito por usar turbante, pela cor da pele, pelo cabelo, que feio não é a cor da pele, o cabelo ou a cor dele, e sim o preconceito que a pessoa leva dentro dela”, orgulha-se.

A artista plástica Núbia Oliveira também partilhou suas vivências durante a palestra “Alma para Alma: As opressões da Mulher Negra, cultura afro-brasileira e questões sobre o racismo na contemporaneidade”, além de mostrar seu talento na oficina “Esculturas com papel Machê - Heroínas Negras”. Foi a primeira experiência como palestrante e a artista se disse honrada em poder proporcionar um momento de reflexão aos participantes. “Uma palestra tem que tocar a alma, fazer as pessoas sentirem e refletirem. Alguns dos adolescentes compartilharam comigo que querem muito mudar o mundo. Creio muito que são esses jovens que vão libertar nosso país, trazer esperança para o povo”, disse Núbia, que acredita ser a educação o meio pelo qual a sociedade superará o preconceito: “o conhecimento é a chave para o poder; ele te tira da senzala”.

O evento contou com a participação de servidores e alunos de outros campi do IFFluminense, como Itaperuna, Santo Antônio de Pádua e Quissamã. Ronaldo Só Moutinho, coordenador do Neabi do Campus Quissamã, elogiou o evento e a participação maciça dos alunos. “Eventos como esse mostra ao jovem que ele precisa valorizar essa cultura, que é tão desvalorizada. A iniciativa é muito boa e vai abrir cada vez mais a consciência dos jovens sobre as questões ligadas ao negro”, disse. Ele usou a música para falar sobre luta, vida e amor, pois acredita que as canções atingem partes profundas do ser humano e têm grande poder de resistência.

Música e dança também marcaram presença fora das oficinas: o intervalos contaram com apresentação de grupos musicais, Jongo, capoeira e batalha de Rap. O dia foi encerrado com uma linda roda de samba no auditório Professora Amanda Celeste Pimentel e os participantes puderam saborear um feijão amigo oferecido pela organização do Novembro Negro.

Roda de samba Novembro Negro

Roda de samba finalizou a noite de evento.

Organizadores – O evento foi realizado pelo Neabi do IFF Bom Jesus, em parceria com os projetos Café com Letras, Cineclube Debates, Jornal Estudantil, Centro de Memória e Nutriarte; Movimento Afro-brasileiro de Itaperuna (Moabi) e Associação de Remanescentes de Quilombo de Machadinha.

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