Notícias
Astronomia
Projeto do IFF Bom Jesus conquista mais uma premiação em evento científico no Pará
Olhar para o céu já é algo habitual para os estudantes Maycon Jorge Delaqua da Silva, Pedro Henrique Rocha de Andrade e Arthur Miguelito Lopes, do Curso Superior em Engenharia de Computação do Instituto Federal Fluminense Campus Bom Jesus do Itabapoana. Participantes do projeto “Simulando o impacto de satélites de observações astronômicas”, eles passam boas horas à procura de informações e analisando dados sobre o céu, mas foi olhando para baixo que eles se encantaram pelo último destino onde o projeto os levou: a Amazônia.
Orientados pela professora Ana Cecília Soja, os graduandos foram convidados a participar da XVI Mostra de Ciências e Tecnologia do Instituto Açaí, em Belém do Pará, onde mais uma vez conquistaram o primeiro lugar da categoria “Ciências Exatas do Ensino Superior” com o trabalho. Trata-se da maior feira de Ciências da Região Norte e a participação do projeto foi obtida a partir de uma premiação conquistada em 2024, na IX Feira Brasileira de Iniciação Científica, em Pomerode (SC). O destaque deste ano garante à equipe a credencial para outro evento, o Ciência Jovem, que acontece em Recife (PE).
A apresentação do trabalho foi realizada por Maycon e Pedro Henrique. Eles explicam que, por meio do projeto, a equipe criou um algoritmo de inteligência artificial que remove trilhas de satélite que poluem e comprometem a captação de dados astronômicos. A proposta foi capaz de recuperar 99,7% da informação que seria perdida, com velocidade 20 vezes maior do que o algoritmo Sigma Clipping, que apresenta proposta semelhante.
Além do reconhecimento obtido com a premiação, o grupo ressalta a importância de participar de eventos científicos como a MCTIA, que possibilitou a ampliação de suas redes de contatos e, principalmente, o contato com realidades, culturas e particularidades da região Norte brasileira. Os discentes destacaram o contato com a floresta Amazônica como uma das grandes experiências proporcionadas pelo evento. “Ver o maior tesouro brasileiro de perto, poder tocar nas árvores, sentir os aromas e estar presente ali é um verdadeiro presente”, conta Maycon. “Até pousar no aeroporto, o avião sobrevoa boa parte da floresta e é muito legal observar quão grandes são os rios e como a população ribeirinha se relaciona com o rio, se locomovem por barcos, o que é bem diferente da nossa cultura aqui”, acrescentou Pedro.
A dificuldade de acesso à região também tornou a experiência ainda mais significativa para os estudantes. “Estar em um local de tão difícil acesso e ver que a ciência é divulgada lá é muito gratificante. Mesmo com todas as dificuldades, o evento acontece todos os anos e o sentimento de fazer parte dessa história é incrível”, considerou Maycon. Segundo ele, a valorização da cultura local era percebida nos trabalhos desenvolvidos, com projetos voltados para a manutenção cultural e científica da região, como uso de sementes de açaí para construção civil, por exemplo. Conhecer a riqueza cultural local também foi possível por meio da culinária e visita a estabelecimentos e espaços públicos locais, enriquecendo o repertório dos alunos.
“Como sempre, a participação na feira trouxe muitas vivências e aprendizados aos estudantes, que tiveram contato com projetos instigantes e a oportunidade de conhecer uma realidade do nosso país completamente diferente da nossa”, avaliou a professora e orientadora Ana Cecília Soja.
Mais informações sobre o evento estão disponíveis em https://mctia.com/.