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Projeto busca conquista de selo de Denominação de Origem para cafés especiais do Alto Noroeste Fluminense
Alunos dos cursos Técnicos em Agropecuária e Tecnologia de Alimentos participam do projeto.
Coordenado pelo professor Hilton Galvão, com participação dos professores Lanusse Cordeiro e Daniel Coelho, do eixo de Ciência e Tecnologia de Alimentos do Instituto Federal Fluminense (IFF) Campus Bom Jesus do Itabapoana, o projeto Indicações Geográficas Cafés Especiais do Alto Noroeste Fluminense, foi submetido em edital de fomento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ, em 2022. Aprovado, contou com o financiamento do órgão e, literalmente, deu bons frutos. Em 2023, com da chamada pública de seleção de bolsistas, a partir da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - SETEC, o projeto se fortaleceu reforçando a participação dos estudantes.
O intuito do projeto é contribuir com o desenvolvimento da cafeicultura do Alto Noroeste Fluminense para obtenção da Denominação de Origem (DO) para os cafés especiais produzidos naquela região, com o objetivo de agregar valor ao produto, melhorando sua qualidade, produtividade e inovação, e, consequentemente, impactando toda uma região. A DO, selo concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, é um reconhecimento rigoroso que atesta a autenticidade de um produto, garantindo que sua qualidade seja resultado de uma combinação única de fatores naturais, como as altitudes superiores a 600 metros, solos férteis e clima favorável da região, e de fatores humanos, como as técnicas de cultivo influenciadas pela tradição de imigrantes italianos, por exemplo. Essa certificação vai permitir que os produtores de Bom Jesus do Itabapoana, Natividade, Porciúncula e Varre-Sai vendam seus grãos com maior valor agregado.
Com viés extensionista, um dos pilares do projeto é a participação ativa de estudantes do Campus Bom Jesus. Os alunos dos cursos técnicos em Agropecuária e em Alimentos e do Bacharelado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, participam de todo o processo, desde a orientação sobre a produção nas lavouras até as análises técnicas e de perfil sensorial dos cafés. A AlQualis Jr., empresa júnior (EJ) do mesmo campus, também está inserida no processo e foi contratada para auxiliar nas etapas de beneficiamento pós-colheita e análise sensorial dos cafés. A EJ também tem apoiado eventos de Mostra de Cafés Especiais nos municípios da região, divulgando os Cafés Especiais do Alto Noroeste do Rio de Janeiro por meio do serviço de barismo, apresentado nas últimas edições da Rio Innovation Week e da Semana Internacional do Café – SIC.
O estudante Luiz Felipe Nogueira da Silva Paiva presidente da AlQualis Jr., destacou a troca de experiências e o conhecimento obtido a partir da participação no projeto, que proporcionou a integração com discentes de outros cursos, como o Bacharelado em Engenharia da Computação e o Técnico em Agropecuária. “Quando se fala em interdisciplinaridade, o projeto consegue abraçar isso. É um projeto que também possibilitou a visita a propriedades que estavam trabalhando com as amostras de café; a participação no Expo Varre-Sai, que reúne grandes produtores da região; e a visita à Caparaó Júnior, empresa júnior que está há muitos anos no mercado. É uma participação muito positiva”, considerou.
O professor Hilton Galvão acredita o projeto trouxe forte impacto socioeconômico para os cafeicultores ainda durante o desenvolvimento do projeto de Indicação Geográfica (IG), que tem previsão de encerramento para setembro de 2026. “É nítido o aumento de produtores que ao longo destes últimos três anos buscam o conhecimento técnico para a produção de cafés especiais. Alguns deles, inclusive, com a sua própria torrefação, embalagem e marca, além de cafeterias próprias, promovendo o turismo rural”, afirmou. Para ele, é motivo de orgulho ver o Campus Bom Jesus como protagonista desse processo, contando com o apoio dos estudantes, professores e demais parceiros institucionais.
O projeto também tem o apoio de uma ampla rede de parceiros, como Sebrae, Emater-Rio, Mapa, Pesagro-Rio, a Secretaria de Agricultura de Bom Jesus do Itabapoana, o IFRJ do Maracanã, IFES Campus Alegre e a CIDENNF.
Da história à inovação: a força da tradição local
Durante o século XIX, o Rio de Janeiro foi o maior produtor mundial de café. Após décadas de declínio, o setor na região vem se reerguendo, impulsionado por uma nova geração de produtores que combinam a tradição familiar com tecnologia. Paralelamente, a Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Alto Noroeste do RJ (ACEAN-RJ) foi formalmente constituída em 2023, demostrando a capilaridade e a sinergia entre pesquisa, ensino e extensão do IFFluminense em difundir o conhecimento acadêmico para impulsionar o desenvolvimento socioeconômico e o turismo rural na região.
A iniciativa, que está alinhada à missão do IFF de desenvolvimento dos territórios onde seus campi estão inseridos, é uma demonstração da força da interiorização e da verticalização da educação implementada pelos Institutos Federais.