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Graduações a distância são novidade do IFF para 2026
Aline Pires, diretora do Centro de Referência, no Laboratório de Informática (Foto: Divulgação IFF).
A Educação a Distância no Instituto Federal Fluminense dará um importante passo em 2026 com a preparação para a oferta de suas primeiras graduações a distância: o curso de Tecnólogo em Design Gráfico e a Segunda Licenciatura em Letras - Português e Literaturas.
A iniciativa é uma parceria entre o IFF, por meio do Centro de Referência em Tecnologia, Informação e Comunicação na Educação (CREF), e o Consórcio Cederj, formado pelas instituições públicas de ensino superior do Rio de Janeiro em parceria com o governo do estado. Esta será, inclusive, a estreia da área de Design Gráfico na trajetória de 25 anos do Consórcio.
“Com o Cederj, a gente amplia o poder da atuação do IFF, levando o ensino superior a lugares onde ele ainda não chega, oportunizando a centenas de pessoas o acesso a uma educação pública de qualidade”, destaca a diretora do CREF, Aline Pires Vasconcelos.
Serão 150 vagas abertas em cada um dos cursos - sendo que o de Design Gráfico terá início no segundo semestre de 2026 e a Segunda Licenciatura no primeiro semestre de 2027 -, vinculadas administrativamente ao Campus Campos Centro do IFF. O ingresso ocorrerá pelo Vestibular Cederj e pelo Sisu. As atividades presenciais acontecerão nos polos de:
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Tecnólogo em Design Gráfico: Magé, Rio das Ostras, São Francisco do Itabapoana, Natividade e Paraty;
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Letras: Rio das Ostras, Rio Bonito, Natividade, Paraty e Niterói.
O esforço institucional por trás da oferta de um curso EAD
A viabilização das vagas é fruto de um trabalho iniciado em 2023, com a submissão da proposta ao edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior pelo sistema Universidade Aberta do Brasil (Capes/UAB), aprovada em 2024. Desde então, o CREF e o Campos Centro vêm realizando um trabalho que exige grande esforço institucional.
Após a elaboração e aprovação dos Planos Pedagógicos dos Cursos (PPC) em todas as instâncias do IFF e do Cederj, o foco agora é a seleção de profissionais via edital do Consórcio, com bolsas pagas pelo Cederj. Serão conteudistas, coordenadores de disciplinas e tutoria a distância ou presencial nos Polos.
“É importante que a comunidade do IFF perceba o benefício de trabalhar com o Cederj; para além de ter bolsa, é possível participar de um consórcio grandioso, que tem cursos de qualidade e pelo qual a gente atinge um público e polos tão distantes. Lugares onde o IFF chega e onde não chega, e que assim promove a interiorização do ensino superior”, ressalta Aline.
As coordenadoras Joelma Alves (Design Gráfico) e Penha Élida Ramos (Letras), gerenciam o planejamento e a organização dos cursos desde o ano passado.
“Já realizamos dois editais para professores conteudistas e, neste momento, os conteúdos pedagógicos estão sendo preparados por professores do Instituto, assim como por docentes da UFRJ e da UERJ”, explica Joelma.
A professora Élida conta que a elaboração do PPC foi uma etapa crucial realizada pelo colegiado de Letras do Campos Centro em 2025. “Hoje o curso se encontra na etapa de produção de conteúdos, além da elaboração e divulgação de editais para tutoria e coordenador de disciplina. São ações gerenciadas pelo Cederj e pela coordenação do curso”, acrescenta.

Informações sobre os cursos
√ Segunda Licenciatura em Letras: com dois anos de duração, o curso estará aberto a quem já possui licenciatura e deseja uma nova formação. Conforme Élida explica, o curso está organizado para atividades remotas e presenciais, com percentuais que ainda estão sendo definidos em virtude do Novo Marco Regulatório da EAD, segundo o qual cursos de graduação não ocorrerão mais 100% a distância.
“Quanto às disciplinas a serem ofertadas, estão aquelas relativas à Literatura, como História da Literatura e Prosa Brasileira, e Linguística, como Linguística Textual e Linguística I e II. Mas essas são apenas algumas das disciplinas”, adianta a coordenadora.
√ Design Gráfico: com três anos de duração, estará aberto aos concluintes do ensino médio. Serão dois desafios: pelo IFF, é um curso tradicionalmente presencial; pelo Cederj, é a primeira vez que será ofertado. “Sabemos o desafio que isso representa para um curso como o nosso, que tem em sua essência o ato criativo e projetual. Contudo, isso nos motiva muito, pois acreditamos nas grandes oportunidades que a educação na modalidade EAD proporciona”, destaca Joelma.
A oferta vai iniciar com as disciplinas do 1º período: Percepção Visual, Desenho de Observação, Composição Visual, História da Arte, Introdução à Educação a Distância e Introdução à Informática. E conforme previsto em lei, 10% da carga horária total deve ser em atividades presenciais e 10% em atividades presenciais ou síncronas mediadas.
“O Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico é o primeiro curso dessa área a ser ofertado pelo Cederj, e podemos imaginar o entusiasmo que existe tanto da nossa parte quanto da parte deles. Realmente acreditamos que poderemos contribuir para a formação de muitas pessoas que desejam se profissionalizar na área e que, muitas vezes, não teriam a oportunidade de se deslocar para estudar”, pondera Joelma.
Qualidade e o novo Marco Regulatório
No pós-pandemia, muitas atividades que se deslocaram para o modo remoto, ou híbrido, evidenciaram como é possível manter a qualidade e a produtividade, mesmo a distância.
“É uma tendência global, o mundo é híbrido. Nossa vida é mediada pelas tecnologias em diferentes camadas, por que não consolidar esta tendência no ensino?”, questiona Aline. “A gente percebe que o ensino a distância democratiza o acesso à educação, tornando-a mais inclusiva. São jovens e adultos que não podem se deslocar todo dia, que têm uma situação socioeconômica mais desfavorável, configurações familiares, dificuldade de transporte e outras situações”, reflete.
Aline ressalta que o novo Marco Regulatório da Educação a Distância no Brasil, instituído em 2025, fortalece a qualidade do ensino ao exigir presença obrigatória (10% a 30% da carga horária), aulas ao vivo e estrutura mínima em polos. Além disso, destaca que a EAD prima pela qualidade com o planejamento e organização das aulas no Ambiente Virtual de Aprendizagem, onde o aluno pode acessar as aulas, os conteúdos e atividades a qualquer momento, se organizando da melhor forma em seu tempo e espaço no processo de ensino e aprendizagem.
No IFF, o CREF garante esse padrão por meio de várias estratégias como salas virtuais modeladas, treinamento de professores no Moodle e em tecnologias e metodologias educacionais, além de ferramentas de otimização de aprendizagem.
Para a professora Joelma, a educação deve alcançar a vida das pessoas para trazer melhorias, e a tecnologia possibilita isso ao encurtar as distâncias. “Quando vivemos o período difícil da pandemia, em que fomos obrigados a, repentinamente, aprender a mediar nossas atividades docentes por meio das telas, descobrimos o quanto isso pode ser desafiador, mas também possível de se fazer. E digo mais: é uma realidade cada vez mais presente na vida das pessoas. Hoje, mudamos a forma de fazer tantas coisas que é inevitável, e até desejável, que os formatos educacionais também se transformem”.

Futuro da EAD no IFF
O diálogo entre o CREF e os campi é fundamental para a oferta de novos cursos, seja de graduação ou pós-graduação, já visando novos editais da UAB em 2027. Para além disso, o recém-criado Fórum da Educação a Distância do IFF debate a expansão da modalidade, incluindo a inserção de cargas horárias EAD em cursos de graduação presenciais (30% permitido em lei).
Outra ação é a adesão ao Pró-funcionário, um programa da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC) que oferecerá formação técnica gratuita a funcionários de escolas públicas, por meio dos cursos de Multimeios Didáticos e Secretariado Escolar.
“Também estamos reforçando a nossa coordenação de metodologias ativas. Serão lançados 20 cursos nesta área, o que contribui para a qualidade dos cursos ofertados pela EAD”, diz.
Atualmente, o IFF oferta quatro pós-graduações, além das duas graduações que irão começar, na modalidade da Educação a Distância. “Somos inclusivos, gratuitos, de qualidade, e a gente percebe que a EAD é essencial para a democratização do acesso ao ensino superior”, finaliza Aline.
