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Reconhecimento

Trabalho do IFF Bom Jesus conquista 4º lugar em conferência internacional de energia nuclear

por Erika Vieira, da Comunicação Social do Campus Bom Jesus do Itabapoana publicado 16/09/2026 16h19, última modificação 17/09/2026 06h18
O projeto é desenvolvido pelo estudante Isaac Salles Gonçalves, sob orientação do professor Thiago Juncal, e foi um dos cinco melhores trabalhos da categoria Junior Poster.
INAC 2026

O INAC 2026 aconteceu na Escola de Guerra Naval, no Rio de Janeiro.

Uma pesquisa realizada no Instituto Federal Fluminense (IFF) Campus Bom Jesus do Itabapoana, a muitos quilômetros dos principais centros de pesquisa em energia nuclear, conquistou o quarto lugar entre mais de 100 trabalhos apresentados no International Nuclear Atlantic Conference (INAC) 2026. O trabalho foi desenvolvido pelo estudante de Engenharia de Computação Isaac Salles Gonçalves, sob orientação do professor de Física do IFF Thiago Juncal de Souza, e apresentado na categoria Junior Poster, voltada a estudantes de graduação.

O objetivo dos pesquisadores é desenvolver uma forma alternativa de identificar como a potência está distribuída dentro de um reator nuclear. Para isso, utilizaram Redes Neurais Artificiais, uma técnica de Inteligência Artificial capaz de identificar padrões a partir de dados.

A ideia é utilizar as informações coletadas por 36 detectores de nêutrons instalados no interior do reator para estimar a distribuição de potência em seus 121 elementos combustíveis. Em outras palavras, a Inteligência Artificial é treinada para, a partir de informações parciais obtidas pelos detectores, reconstruir um panorama completo de como a potência se distribui no núcleo do reator.

O estudo considera um reator nuclear do tipo PWR, semelhante ao reator brasileiro Angra 1. Atualmente, esse tipo de reconstrução pode depender de modelos matemáticos e simuladores computacionais complexos, que demandam maior capacidade de processamento. O trabalho investiga, portanto, o potencial da Inteligência Artificial como ferramenta complementar para tornar esse processo mais ágil, eficiente, redundante e seguro.

O reconhecimento como quarto melhor trabalho da categoria representou, para Isaac e Thiago, mais do que uma premiação individual. Segundo Isaac, participar em meio a trabalhos desenvolvidos por estudantes de instituições de destaque na área nuclear, e estar entre os cinco melhores entre mais de 100 projetos, evidencia a capacidade de produção científica do IFF e o potencial de instituições do interior do país. 

“Apesar de estar em uma região distante dos polos brasileiros de discussão e estudo sobre energia nuclear, o prêmio demonstra a força do IFF na área da pesquisa. ItabapoanaOs trabalhos de magnitude do INAC estão a muitos quilômetros da nossa região, mas temos alunos interessados em pesquisar, aprender e apresentar trabalhos, além de professores capacitados nas mais diversas áreas para nos orientar e direcionar nosso aprendizado”, avaliou, destacando a presença de instituições nacionais e internacionais, como o Instituto de Engenharia Nuclear, o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, a Universidade de São Paulo e a Universidade do Texas, entre outras.

O contato com estudantes e projetos desenvolvidos em outros locais também ampliou a visão de Isaac sobre as possibilidades de aplicação da energia nuclear e sua integração com diferentes áreas do conhecimento, em especial a computação e, mais especificamente, a Inteligência Artificial. Segundo ele, o diálogo entre elas pode potencializar o desenvolvimento tecnológico de ambas. “Também pude ver, no evento, a situação atual da área no nosso país, o que está sendo estudado e quais são as perspectivas para o futuro da área nuclear em geral”, acrescentou. Além do reconhecimento, o discente foi premiado com um passeio marítimo à Ilha Fiscal e uma visita ao Espaço Cultural da Marinha, ambos no Rio de Janeiro.

INAC 2026Para o orientador, Thiago Juncal, a participação no INAC também foi especial. Ele relembrou a presença em edições anteriores, ainda como estudante, e pôde agora celebrar a conquista como orientador e professor do Instituto. “O INAC é um evento muito importante da área nuclear e um excelente ambiente para aprendizado, networking e saber o que as universidades e centros de pesquisas do Brasil e no mundo estão desenvolvendo no setor”, considerou. 

Segundo ele, muitos temas relevantes foram discutidos nesta edição do evento, como descarbonização, mudanças climáticas, uso de energia para data-centers, reatores de pequena escala, entre outros. Orgulhoso, o professor também manifestou sua alegria pelo prêmio e destacou o protagonismo de Isaac, parabenizando-o pela dedicação e seriedade no desenvolvimento do projeto.

INAC - Organizado pela Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), o INAC é reconhecido como o maior e mais importante evento do setor nuclear na América Latina. A conferência reúne profissionais, estudantes, pesquisadores e representantes da academia, da indústria, do governo e de instituições de pesquisa do Brasil e do exterior. Em sua edição de 2026, o evento teve como tema “Energia Nuclear: Átomos para um Futuro Verde”.

A primeira edição ocorreu em 2001. Desde então, o evento é realizado a cada dois anos pela ABEN e se consolidou como um espaço de intercâmbio técnico, networking profissional e colaboração institucional no setor nuclear. A programação do INAC 2026 contemplou discussões sobre energia nuclear e suas aplicações na geração de energia, saúde, agricultura, indústria, meio ambiente e inovação tecnológica, além de temas relacionados ao desenvolvimento de tecnologias nucleares seguras e sustentáveis.