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IV Semana das Engenharias

“A engenharia abandonou um pouco o exercício profissional”, diz o diretor-presidente da TEC Incubadora

por Vitor Carletti / Assessoria de Comunicação Social do Campus Campos Centro publicado 19/03/2025 11h29, última modificação 19/03/2025 13h57
O professor Henrique da Hora fez palestra a estudantes das engenharias do IFF Campos Centro onde estimulou um perfil profissional mais inovador do que acadêmico.
IV Semana das Engenharias

O diretor-presidente da TEC Campos e professor do IFF, Henrique da Hora, fez palestra a estudantes das engenharias do IFF Campos Centro durante evento de integração.Foto: Vitor Carletti/Ascom Centro

 O atual modelo de formação acadêmica dos engenheiros do Brasil não privilegia a inovação e a criatividade para resolver os problemas da sociedade. É o que afirmou o diretor-presidente da TEC Incubadora de Campos e professor do Instituto Federal Fluminense (IFF), Henrique da Hora, em palestra no primeiro dia da IV Semana das Engenharias do IFF Campos Centro.

 O evento de integração dos estudantes das engenharias de Controle e Automação, Computação, Elétrica e Mecânica do campus começou nesta terça-feira, 18, e vai até quinta, 20 de março.

 Da hora, que possui mestrado e doutorado em Engenharia de Produção, afirma que a sua crítica é construtiva e reforça a importância da parte acadêmica. “A gente percebe que a engenharia abandonou um pouco o exercício profissional. É preciso que um engenheiro — o verbo é errado, mas vou utilizá-lo—, que ele ´engenheire´, que ele se suje de graxa e consiga inovar e ser criativo”, afirmou.

 O diretor-presidente da TEC Campos — instituição formada pelo IFF, universidades do norte e noroeste fluminense e outras entidades, que fomenta a inovação e o empreendedorismo de startups (empresas de tecnologia) — disse que uma consequência desse modelo é que o engenheiro, após a conclusão do curso, precisa aprender a profissão na prática, já que os próprios professores não tiveram tempo de exercer o ofício.

 “Quem consegue ser aprovado em um concurso público para professor numa universidade ou instituto federal? Normalmente, são doutores que costumam passar. Agora, vamos ver como é a vida de um doutor? Ele fez uma faculdade, uma iniciação científica, um mestrado e um doutorado. Ele tem 30 anos e nunca exerceu a profissão dele. Aí ele é aprovado em um concurso público e vai ensinar alguém a ser engenheiro sendo que ele nunca foi um engenheiro na vida”, questiona.

 Da hora, porém, reconhece que no Brasil existem exemplos de profissionais que inovaram, mas que não tiveram o devido reconhecimento. Ele citou os trabalhos do físico, pesquisador e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Herch Moysés Nussenzveig, um dos desenvolvedores da fibra óptica, e de Johanna Dobereiner, cientista que ajudou a desenvolver o Programa Nacional do Álcool, em 1975, o que permitiu ao país ampliar a sua matriz energética.

 “A parte acadêmica é fundamental. O MEC (Ministério da Educação) fica em cima dos cursos exigindo muitas coisas. A sociedade exige outras. Uma engenharia da década de 70, dependendo de onde você fizesse, era de três anos (tempo de duração do curso). E foi essa engenharia que construiu a Ponte Rio-Niterói, Itaipu. E hoje nós temos uma engenharia que regulamentada tem cinco anos que, às vezes, ela não forma alguém com as habilidades e competências para executar o que é necessário. A solução passa pelo empreendedorismo, pela criatividade, passa por colocar as indústrias mais próximas dos institutos”, disse.

 O diretor-presidente da TEC Campos Incubadora afirma que potencializar a inovação nos cursos de engenharia poderia reduzir os índices de evasão logo nos primeiros períodos.

 “Eu me milito por uma engenharia mais inovadora que resolva os problemas com criatividade dentro do seu território. É uma crítica construtiva”, finaliza.