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Rio de Janeiro
Aniversário da cidade é celebrado em evento da Colinco
Os estudantes músicos e professores participantes das atividades (Foto: Divulgação).
Fundada em 1º de março de 1565, a cidade do Rio de Janeiro celebrou mais um ano de história. No Instituto Federal Fluminense (IFF) Campus Campos Centro, o aniversário recebeu homenagens e foi lembrado no sábado letivo. A programação começou com um “Café com Samba”, com banda formada por estudantes, reunindo alunos, professores e servidores em um momento de celebração da cultura brasileira. “Que manhã linda a gente já viveu aqui! Começamos com um sambinha delicioso que fez o nosso IFF inteiro acordar sorrindo. O samba tem disso: ele chama pelo nome, ele junta, ele abraça”, destacou a estudante Vitória, agradecendo aos colegas Mayco de Souza, João Victor Telefe, Thaiz Sant’ana e Yasmin Batista, responsáveis pela apresentação musical.
Para o estudante Lucas Rosa dos Santos, o samba também abriu espaço para reflexão. “Ele não é só festa, é memória batucando no peito. Se a música celebrou a nossa cultura viva, o que vem agora convida a gente a olhar para a nossa história com mais atenção, com mais verdade.”
Cinema - Na sequência, a comunidade acadêmica assistiu ao documentário Rio, Negro, produzido pela Quiprocó Filmes e dirigido por Fernando Sousa e Gabriel Barbosa. Com 1h39 de duração, o filme propõe um novo olhar sobre a formação do Rio de Janeiro, colocando no centro da narrativa a presença e a contribuição da população negra na construção da cidade.
“O documentário tira a história da moldura oficial e coloca no centro vozes que muitas vezes foram empurradas para a margem”, avaliou Vitória Arruda da Silva após a exibição.
Lucas completou: “O que ele provoca na gente não cabe no relógio. É um convite para enxergar o Rio por outra perspectiva, com mais escuta e mais consciência.”
Debate - Após a exibição, teve início o debate “Cinema e Literatura Negra em Diálogo”, mediado pela professora e coordenadora da Colinco, Bárbara Zaganelli. Em sua fala, ela destacou o papel da educação como território de memória e afirmação de vozes historicamente silenciadas.
“Rio Negro nos sussurra que nenhuma cidade cabe em uma única versão. Contar é também um ato de existir. Escrever, filmar e narrar são gestos de coragem”, afirmou.
O debate contou com a presença do cineasta e cientista social Fernando Sousa, diretor executivo da Quiprocó Filmes e idealizador do Festival Internacional Goitacá de Cinema, que acontece de 6 a 11 de agosto, além da professora Ângela Poz, doutora em Literatura Comparada pela UFF e pesquisadora das literaturas brasileira e moçambicana.
Durante o encontro, foram discutidas ideias, conceitos, obras e autores e autoras expoentes da Literatura Negra. No campo do cinema, enfatizaram-se os desafios de produção e circulação de obras audiovisuais com temática racial, bem como o papel da representatividade negra na formação e no fortalecimento da identidade dos jovens estudantes.
Protagonismo estudantil - Encerrando o sábado letivo, o público foi convidado a prestigiar o show da banda Os Bezouros, formada por estudantes do próprio campus. A apresentação “Arquivo Vivo” marcou também a gravação do primeiro videoclipe colaborativo realizado com os estudantes do Ensino Médio do IFF Campos Centro, reforçando o protagonismo juvenil.
“Eles são nossos colegas, gente da casa, que transformaram amizade em música e ensaio em espetáculo”, anunciaram os apresentadores, convidando o público a participar ativamente da gravação.
Ao unir samba, cinema, literatura e música autoral, o IFF Campos Centro transformou o aniversário do Rio de Janeiro em um espaço de celebração crítica da história, reafirmando que cultura e educação caminham juntas na construção de uma sociedade mais consciente, plural e participativa.