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SOCIOLOGIA
Professor da UFF lança livro sobre Florestan Fernandes em evento do Curso de Geografia
Waldeck Carneiro é professor da UFF e organizador da coleção “Diálogos com pensadores da educação brasileira”. Foto: Vitor Carletti/ Ascom Centro.
O Curso de Licenciatura em Geografia, do Instituto Federal Fluminense (IFF) Campus Campos Centro, promoveu na noite desta quinta-feira, 26 de junho, o lançamento do livro “Ensaios sobre Florestan Fernandes. Sociólogo, político e defensor da educação pública”.
A obra foi organizada pelos professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) Viviane Moraes e Waldeck Carneiro com quem estudantes e docentes do campus puderam trocar impressões sobre a vida e a obra do sociólogo no auditório Miguel Ramalho.
Florestan Fernandes é considerado o patrono da sociologia brasileira pela lei 11.325, publicada em 24 de julho de 2006. O sociólogo e intelectual é autor de uma vasta produção acadêmica que abrange o desenvolvimento das classes sociais no Brasil, o racismo e a educação, entre outros temas que foram objeto da sua leitura crítica da sociedade brasileira.
Waldeck explicou que o livro sobre Florestan é o 3º volume de uma coleção, publicada pela editora Nitpress, que resgata conceitos de importantes nomes da educação brasileira. Na estreia do trabalho acadêmico, em 2021, o patrono da educação brasileira Paulo Freire foi o objeto do estudo. Um ano depois, os conceitos do antropólogo, sociólogo e político Darcy Ribeiro foram debatidos por pesquisadores em uma série de ensaios.
“É uma alegria muito grande fazer uma atividade e uma discussão em torno da obra aqui no IFF de Campos, que é uma instituição que a gente respeita e admira por sua qualidade acadêmica e tradição desde a época do antigo Cefet-Campos. Neste volume, o Florestan é colocado em diálogo com vários pensadores brasileiros e internacionais. Theodore Adorno, Karl Marx, Pierre Bourdieu, Anísio Teixeira, Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Paschoal Lemme. O leitor conhece um pouco da obra do Florestan e conceitos de outros personagens”, complementa.
Para o organizador da obra, Florestan articulou seu trabalho acadêmico com a sua atuação como ativista político. O sociólogo exerceu dois mandatos como deputado federal e morreu em 1995.
“O Florestan é oriundo da extrema pobreza. Foi engraxate e começou a trabalhar com seis anos, vivia de favor na casa da patroa de sua mãe, mudou de cortiço em cortiço e não conheceu o pai. Parou de estudar ainda no primário, aos nove anos. Quando ele chega à USP para estudar Ciências Sociais, aos 21 anos, em 1941, ele vinha de uma trajetória incomum para quem tivesse pretensões de fazer um caminho no mundo intelectual”, detalha.
“Outra mensagem é a sociologia crítica, ou seja, é preciso desnaturalizar as coisas, interrogar o real e problematizar a realidade. A terceira coisa é essa capacidade que ele demonstrou que o mundo intelectual pode se envolver com as disputas concretas da sociedade e tensões”
Waldeck Carneiro, professor da UFF
Perguntado sobre como a obra do Florestan poderia ajudar na parte acadêmica, cultural e histórica dos estudantes, Waldeck enumerou três pontos.
“É a perseverança. Esse (Florestan) perseverou. Tinha tudo para dar errado e ser uma pessoa desprovida do acesso aos bens culturais e materiais. Outra mensagem é a sociologia crítica, ou seja, é preciso desnaturalizar as coisas, interrogar o real e problematizar a realidade. A terceira coisa é essa capacidade que ele demonstrou que o mundo intelectual pode se envolver com as disputas concretas da sociedade e tensões”, afirma.
Waldeck coordena desde 2001, na Faculdade de Educação da UFF, o Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Educação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPW) e é membro efetivo da Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro. O professor adiantou que está organizando o 4º volume da coleção sobre o educador e jurista Anísio Teixeira.