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Semana Pedagógica
Vítimas de abuso sexual têm mudanças de comportamento em sala de aula, diz delegado da PF
O delegado da Polícia Federal de Campos Paulo Cassiano Júnior alertou professores sobre como identificar vítimas de abuso sexual.Foto: Vitor Carletti /Ascom Centro
A multiplicação de casos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes é um problema social, principalmente quando há o armazenamento, compartilhamento e venda de conteúdo pornográfico por abusadores pela internet. A constatação é do delegado da Polícia Federal em Campos Paulo Cassiano Júnior que fez a palestra “Pedofilia e abuso sexual infantojuvenil” no 1º dia da Semana Pedagógica do Instituto Federal Fluminense (IFF) Campus Campos Centro, nesta segunda-feira, 26 de maio.
Cassiano Júnior explicou que as atribuições da PF em investigar esse tipo de crime hediondo, cuja pena pode chegar a 10 anos de prisão, são limitadas diante de tantos casos de abusos sexuais.
“A Polícia Federal intervém em casos de abusos (sexuais) virtuais quando existe transnacionalidade da conduta, ou seja, quando fotos e vídeos de crianças e adolescentes em situação de nudez e pornografia são compartilhados na rede mundial de computadores. O registro de casos tem-se multiplicado a ponto de haver no Brasil o registro de um estupro a cada seis minutos, o que dá a dimensão da gravidade e da importância desse problema”, disse.
O delegado, porém, disse que os professores e os pais são fundamentais para identificar quando o estudante desta faixa etária é vítima de abusadores.
“Em sala de aula, os professores devem estar atentos aos comportamentos dos seus alunos, especialmente os que chamam mais a atenção, ou por serem levados demais ou excessivamente tímidos, mas não apenas esses dois extremos. Prestar muita atenção ao comportamento dos alunos, se há alguma variação de humor ou de comportamento. Prestar atenção no que os alunos comentam sobre determinados alunos, pois é muito comum entre eles (estudantes) terem ciência da vida particular um do outro, porque um determinado caso de abuso pode chegar ao conhecimento dos colegas”, afirma.
Aos pais, o delegado sugere uma aproximação que permita um diálogo franco com o adolescente. “O abusador é oportunista. O interesse dele é trabalhar na brecha emocional deixada no coração desses adolescentes. Se os pais podem ocupar esse espaço de afeto, eles devem fazê-lo para que o filho tenha uma posição de resguardo e segurança e não dê margem para que o abusador seja convincente”, disse.
Egresso do antigo curso Pró-técnico da Escola Técnica de Campos e hoje estudante de Licenciatura em Letras do IFF Campos Centro, Cassiano Júnior comentou sobre a oportunidade de fazer a palestra no campus. “Estar aqui é prazeroso pela relação que eu tenho com a instituição, e falar de um assunto tão importante e sério que inspira tantos cuidados, em nome da instituição que eu represento hoje, é motivo de orgulho.”