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Segurança cibernética ainda não é prioridade no Brasil, diz especialista

10º Citi

Marta Helena Schuh é gestora de risco cibernético da empresa JLT e realizou palestra no 10º Congresso Integrado de Tecnologia da Informação (Citi).
por Vitor Carletti / Comunicação Social do Campus Campos Centro publicado 28/11/2019 16h16, última modificação 28/11/2019 16h22

Navegar e comprar pela internet, muitas vezes, impõem ao internauta cadastrar dados pessoais e bancários. Mas qual é o valor dessas informações no mundo digital hoje e o que as empresas têm feito para evitar fraudes on-line?

Essas questões foram respondidas pela gestora de risco cibernético da empresa JLT Marta Helena Schuh em sua palestra “A gestão de riscos cibernéticos na indústria 4.0 e as novas profissões criadas nesta área” realizada nesta quarta-feira, dia 27 de novembro, no 10º Congresso Integrado da Tecnologia da Informação (Citi). O evento de tecnologia da informação está sendo realizado no Campus Campos Centro, do Instituto Federal Fluminense, e vai até sexta-feira, dia 29 de novembro com palestras, mesas-redondas e minicursos, além da Competição de Robótica.

Antes da palestra, Marta conversou com a reportagem do Portal IFF e fez um alerta: “Estima-se que a cada minuto 15 pessoas são vítimas de fraudes cibernéticas no Brasil.”

Portal IFF - A palestra vai falar sobre gestão de crimes cibernéticos. O que os alunos podem esperar?

Marta Helena Schuh - Os crimes cibernéticos estão numa frente crescente hoje e vêm impactar diretamente a vida de todos nós porque estamos cada vez mais dependentes da tecnologia. 90% dos valores que circulam hoje em moeda não são mais em moeda papel mas sim transações digitais. Consequentemente, temos as informações nossas, como indivíduos, que resultar em questões de fraudes. Os usuários estão cada vez mais abertos a usar as mídias sociais e a fornecer informações de cadastro. Mas qual que é o real o perigo referente a isso? O que as informações têm de valor no mercado? E o que a gente pode fazer para nos proteger e entender que há empresas que estão constituídas de ativos intangíveis que são informações que têm até maior valor de mercado que empresas que têm grandes ativos físicos. Há uma grande transformação global frente a isso. Tem uma nova lei no Brasil que fala a respeito disso. Globalmente falando os governos e demais áreas vêm se posicionando. O conflito entre o (Donald) Trump (presidente dos Estados Unidos) e a China não é relacionado à industrialização mas sim à tecnologia e o predomínio da informação e acho que a gente precisa trazer um pouco disso para a realidade do Instituto Federal.

Palestra foi sobre gestão de riscos cibernéticos.

Como analisa a demanda de emprego para este segmento do mercado hoje?

O mercado de trabalho está se transformando. No século passado, era um mercado de indústria de fabricação e hoje a gente já vê outras indústrias sendo formadas por arquitetos de programação, trabalho mais voltado para este âmbito digital. Então, novas profissões vão surgir como já surgiram nos últimos cinco anos. Tem especialistas de mídias sociais, cientistas de dados. À medida que a tecnologia vai evoluindo, vão surgindo novas profissões. Até dentro de profissões tradicionais como a medicina. Hoje tem cirurgião formado de forma robótica. Consequentemente, você não vai ter um médico operando das mesmas maneiras a anatomia como hoje é estudada tradicionalmente.

No Brasil, ainda não houve uma educação completa para isso. Estima-se que a cada minuto 15 pessoas são vítimas de fraudes cibernéticas no Brasil. Somos o país mais afetados em decorrência disso. E as companhias já têm isso previsto em seus prejuízos no balanço ao invés de tentar combater mais efetivamente.
Marta Helena Schuh, gestora de risco cibernético

Tem uma estimativa de quanto os governos ou empresas gastam para combater esse tipo de crime?

Não tem um número fechado até porque a maioria das empresas não divulga. E também não é uma grande pauta essa questão da prevenção da segurança cibernética hoje. Está sendo algo que surgiu diante da digitalização mais ampla no dia a dia, mas ainda é um número muito incipiente se comparado a outros investimentos frente a outros prejuízos. No Brasil, a gente ainda está preso ao que é palpável do risco, aquilo que é visível ou tangível. Não houve a mudança de paradigma, ainda que os usuários estão on-line. O consumidor começou partir para compra on-line. Acredito que as empresas não se atualizaram da mesma maneira.

No mês da Black Friday e com a proximidade do Natal as pessoas compram mais on-line. Quais as dicas para não ser vítima de crime cibernético?

Se atentar aos e-mails recebidos com ofertas, porque, muitas vezes, o e-mail parece ter vindo de determinada loja ou canal, mas são trocados pequenos detalhes que ao olho não treinado pode parecer verdadeiro e vai te levar para um site, que é uma réplica do site que você está acostumado a comprar, e vai te aplicar algum tipo de fraude. A maioria dos bancos, quando você tem um cartão de crédito, é possível fazer a emissão para uma conta transacional única. [Por exemplo] Decidi comprar determinado item em loja digital, você pode fazer com que seja gerado um número único de cartão através de seu on-line bank para fazer aquela transação apenas. Isso diminui a possibilidade de ter fraudes em seu cartão.