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Projeto de professor do Campus Cabo Frio é aprovado em edital nacional do CNPq

por Comunicação Social do IFF Campus Cabo Frio publicado 27/05/2026 11h47, última modificação 27/05/2026 11h47
A Chamada Universal objetiva apoiar projetos de pesquisa que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação do País, em qualquer área do conhecimento.
Professor Manildo Marcião

Professor Manildo Marcião (Foto: Divulgação/IFF).

 O Instituto Federal Fluminense Campus Cabo Frio celebrou uma importante conquista: o projeto do Professor Dr. Manildo Marcião, da área de Biologia, juntamente com a  Professora Drª Jaqueline Borge de Matos, o Professor Dr. Vicente de Paulo Santos de Oliveira e o Professor Dr. Eduardo dos Santos Silva, foi contemplado na Chamada CNPq/MCTI/FNDCT N° 44/2024 - Universal.

 A Chamada Universal objetiva “apoiar projetos de pesquisa que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação do País, em qualquer área do conhecimento”. O resultado alcançado pelo professor merece destaque, considerando o alto nível de competitividade do edital, no qual apenas 24,2% das propostas submetidas foram aprovadas.

 Para saber um pouco mais sobre sua trajetória acadêmica, dificuldades experimentadas e projetos futuros, o coordenador de Pesquisa e Extensão (CPeE), Professor Dr. Marcos Leal Costa, conversou com o professor Manildo Marcião. Confira abaixo:

 

 CPeE - Como começou sua trajetória na área de Biologia? 

 Manildo – Tudo começa na minha graduação que foi de 1991 até 1994 na Faculdade da Região dos Lagos (FERLAGOS), em seguida realizei uma pós Lato Sensu em Biologia Marinha em 1997-1998 na mesma instituição e ingressei no mestrado em 1998 na UERJ. Estes dois anos 1997-1998 foram decisivos para eu partir para a carreira acadêmica, pois até então eu trabalhava na indústria (Companhia Nacional de Álcalis, em Arraial do Cabo). Aprendi muito lá, principalmente no convívio com os trabalhadores em uma empresa que funcionava 24h. Fiz toda minha graduação em Biologia trabalhando na indústria. Mas, ao mesmo tempo, foi se fortalecendo em mim um desejo forte de fazer ciência. E foi neste período que abandonei a carreira de operário para investir na minha formação científica junto com a minha esposa Claudia que também é Bióloga e foi aprovada junto comigo para Pós-graduação em Biologia da UERJ.

 

 CPeE - Como foi a sua trajetória na Pós-graduação? 

 Manildo  Foram dois anos de muito aprendizado, trabalhávamos com uma enzima muito promissora para detecção de agrotóxicos do grupo dos organofosforados e carbamatos ainda bastante usados naquele período no Brasil. E neste período, fomos orientados por importantes professores nesta caminhada, entre eles Dr. Moacelio Verânio Silva Filho, Dr. Mauro Velho de Castro Farias e Dr. Jayme da Cunha Bastos Neto. Em 2002, nasce minha segunda filha, e assim que ela ficou com mais idade voltei para o Rio de Janeiro para realizar o complemento da minha formação científica. E em 2005 eu retorno para a UERJ para realizar o doutorado. No doutorado, eu continuo trabalhando com enzimas, mas com o intuito de entender melhor o efeito toxicológico de cianotoxinas (no caso a microcistina produzida por cianobactérias) sobre as enzimas de animais aquáticos principalmente peixes e mexilhões. Neste período, volto para o Instituto do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) que foi minha base na graduação em Biologia e naquele momento complementou minhas ações da tese, onde fui Co-Orientado pela Drª Maria Helena Campos Baeta Neves. No final do doutorado, eu já percebia que o estudo sobre enzimas teria um potencial científico e tecnológico muito adequado para um país como o Brasil, que carece de políticas públicas de continuidade devido ao histórico recorrente de corte de verbas.

 

 

 CPeE - E sua chegada ao Instituto Federal Fluminense?  

 Manildo  Eu termino o doutorado e entro no IFF, vou para Campos dos Goytacazes, e entre 2009 e 2011 conheci a Unidade de Pesquisa e Extensão Agro-Ambiental (UPEA), que durante os dois anos e meio que passei em Campos manteve vivo em mim o desejo de além de ensinar, fazer pesquisa e extensão. A UPEA, hoje Polo de Inovação, teve um papel importantíssimo na minha história como Cientista no IFF. Em 2011 ainda vou para o Campus Cabo Frio, onde estou atualmente. Em 2012, eu e o Dr. Victor Saraiva criamos o Laboratório de Ecotoxicologia e Microbiologia Ambiental (o LEMAM). Nos anos seguintes realizamos vários trabalhos na área de Ecotoxicologia e Biorremediação, junto com Dr. Ocimar Andrade, egresso do nosso mestrado. Mais adiante vão participar também Drª Adriana Slongo, M. Sc. Flavio Dias, Dr André Fonseca e Dr. Marcos Murata (colaborador externo, UERJ).

 

CPeE - O projeto aprovado no CNPq tem relação com a sua pesquisa realizada durante o seu Doutorado?  

 Manildo – Resumindo bastante a história, o projeto aprovado no CNPq em 2025 (edital Universal 2024) versa sobre o desenvolvimento de biossensores produzidos a partir de enzimas. Este projeto resume mais de 10 anos de luta para manter as ideias, a motivação e a esperança com os parceiros: a Drª Jaqueline Borges (IFF Cabo Frio), o Dr. Eduardo Silva (SME Rio de Janeiro) e do Dr. Vicente de Oliveira (IFF Polo de Inovação).

 

  CPeE – Você já participou de outros editais como esse?

 Manildo – Sim, em 2009, 2021 e 2013.

  

 CPeE – Fale-nos um pouco sobre o projeto aprovado.

 Manildo -  O projeto visa desenvolver uma linha de pesquisa estratégica para formação de recursos humanos nos programas de mestrado (PPEA – Programa de Pós-graduação em Engenharia Ambiental) e doutorado (AMBHIDRO - Modelagem e Tecnologia para Meio Ambiente Aplicadas em Recursos Hídricos) em que atuo. Os biossensores são dispositivos que auxiliam em áreas como as de alimento, saúde e meio ambiente na detecção de analitos (poluentes, drogas ou toxinas) importantes para diagnóstico, controle de qualidade sanitária e monitoramento ambiental. O nosso objetivo principal é voltado para o monitoramento ambiental. O desenvolvimento do biossensor depende de interdisciplinaridade entre a biologia e a química. Em nosso caso, a biologia é minha "praia" com a enzimologia, e a química é da Drª Jaqueline Borges, especialista em eletroquímica. Enquanto a etapa final do dispositivo depende da participação de empresas para se tornar realidade, e nesta etapa entra o Dr. Vicente Oliveira, do Polo de Inovação/IFF nos auxiliando nas questões que envolvem inovação. 

 

 CPeE - Quais foram os principais desafios enfrentados durante a submissão da proposta? Como foi o processo de elaboração e submissão da proposta?

 Manildo – O período para a submissão é um desafio, geralmente em janeiro. Daí a importância de escrever o projeto antes do prazo final de submissão. Montar um projeto factível também é importante, não prometa grandes realizações. Um revisor experimentado percebe facilmente quando o projeto está aquém do que foi elaborado enquanto texto e do valor solicitado para a execução do projeto.

 

 CPeE - Qual a importância dessa aprovação para o Campus Cabo Frio e para a pesquisa desenvolvida aqui? 

 Manildo – Esta não é a primeira aprovação obtida no campus, outras já ocorreram com diferentes pesquisadores. Acho que mais importante do que receber o recurso é fazê-lo crescer. Um pouco do que é dito no evangelho sobre a “Parábola dos Talentos”. É sempre bom para o campus que um projeto aprovado seja base para se obter outros recursos por outros pesquisadores e aproveitar para ampliar as ações de ensino, pesquisa e extensão. Hoje, apesar dos cortes de verbas, encontramos uma atmosfera favorável para a obtenção de recursos pelo consórcio pesquisa/inovação. O nosso projeto tem esta “pegada”. Sempre vamos ouvir que a pesquisa em si é cara, mas também é verdade que sempre dá retorno se olharmos como investimento. 

 

 CPeE - Quais impactos ou resultados você espera alcançar com o desenvolvimento do projeto?

 Manildo – Esta é uma pergunta difícil de responder. Tenho três anos para entregar resultados. Espero que consiga cumprir tudo que foi proposto. A execução do projeto deve ser bem planejada para que possamos atender a todos os prazos. O impacto poderá ser marcante se o aproveitamento dos equipamentos e insumos for adequado, qualificando melhor os pós-graduandos e graduandos do campus e gerando publicações e produtos tecnológicos de impacto elevado. E, se tudo der certo, estabelecer o grupo de pesquisa em Biossensores no Instituto Federal Fluminense.

 

 CPeE - Que mensagem você deixaria para outros pesquisadores que pretendem submeter projetos a editais como esse?

 Manildo – Que sejam pacientes, insistam e encontrem parceiros que estejam junto com você e confiem no projeto. Isto é muito importante para manter a resiliência quando o projeto é negado. Trabalhe o currículo, tente se manter produtivo mesmo sem ter aprovado o recurso. Crie ou participe das “networks” na sua área. Seja colaborador em outros projetos para ir pegando a manha. 


 Conquista que inspira
 Em um cenário de alta competitividade, a aprovação demonstra que a persistência, o rigor científico e o compromisso com a pesquisa fazem a diferença. Esperamos que o resultado inspire outros docentes e estudantes a investirem na produção científica, reforçando a importância da pesquisa como motor de transformação social.