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Desenho Técnico
Quadro sairá da sala de aula para exposição pública
O professor Wellington Gomes faz uma defesa do aprendizado do desenho à mão.
Na quarta-feira, 02 de setembro, enquanto aguardava a chegada de alunos que o procuraram para tirar dúvidas, o professor Wellington Silva Gomes pegou suas canetas de tinta colorida e começou a desenhar, no canto superior esquerdo do quadro de fórmica, a logomarca da 31ª Semana do Saber-Fazer-Saber, iniciada naquele mesmo dia. Trabalho feito à mão, a partir de marcações com pontinhos que vão esboçando a imagem pretendida. A técnica é chamada de pontilhismo, ou estêncil. Como sobrava muito espaço, ele teve a ideia de desenhar peças mecânicas. O produto final ficou tão interessante que o quadro sairá da sala B-108 e será instalado em um dos paredões de acesso ao Bloco B.
Ali pode ser visto um outro quadro, daqueles verdes da época do giz, típicos de uma sala de aula do periódo da Escola Técnica Federal de Campos (ETFC), hoje o Campus Campos Centro do Instituto Federal Fluminense. Um quadro em que Wellington também desenhou, com giz branco e colorido, uma alavanca de comando - mostrada detalhadamente em projeção ortogonal e na chamada vista explodida - em trabalho de fevereiro de 2019. No Bloco B, estudantes do Curso Técnico em Mecânica dividem laboratórios e salas de aulas com os colegas do Bacharelado em Engenharia Mecânica e outros cursos. Em outra parte do prédio funciona o Curso Técnico em Eletrotécnica, que curiosamente exibe em suas paredes o quadro de giz com as peças mecânicas.
Formado em Arquitetura e Urbanismo, com doutorado na área, Wellington é professor de Desenho Técnico. Na sua trajetória acadêmica e profissional está a formação como mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Técnico em Edificações, concluído em 1982 e Mecânica, em 1987, ainda no tempo da ETFC. Foi projetista de uma empresa pestradora de serviço para a Petrobras, onde desenhava peças de plataforma que necessitavam de reparos. Também lecionou na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), para turmas de cursos de bacharelado, entre eles o de Engenharia de Materiais. No IFF dá aulas para turmas do Curso Técnico em Mecânica.
Wellington e o quadro de fórmica que sairá da sala de aula para ficar à mostra na área externa.
Aprende escrevendo - Nessa quarta-feira, 09 de setembro, ele dava acabamento ao novo trabalho, quando seu colega de docência no IFFluminense e seu ex-aluno na UENF, o professor do Curso de Automação, Érico Carvalho, apareceu para dar uma olhada.
"Hoje em dia, você fazendo, desenhando é outra história. Para o aluno é super importante!", ressalta ele. Érico conta que há cerca de 10 anos, o professor ítalo-brasileiro Pierluigi Piazzi ministrou uma palestra no campus em em que defendeu uma de suas ideias mais conhecidas sobre o processo de aprendizagem. "Ele falou que "o aluno só aprende escrevendo. Tô estudando o livro. Não, você tá lendo. Estudar é você pegar esse livro e escrever um resumo. Se você não tiver papel e caneta, você não tá estudando", ele falava. Érico conta também como era no seu tempo de aluno do Técnico em Mecânica. "A gente fazia em casa. Pegava folha, papel, e desenhava a nanquim. Lembra disso?" indaga ele para Wellington.
O quadro de 2019 instalado na entrada da área de elétrica
Recorrendo apenas às canetas e ao quadro, Wellington também defende o processo manual na formação de seus alunos. "Eles vendo a gente fazer, acompanhando, eu acho que o aprendizado é outro. Eu boto eles pra desenhar. Se você pegar as notas dos meus alunos, apesar de eu ser um pouco rígido, em geral as médias dos meus alunos são boas", explica o docente.
O novo quadro vai ser instalado ao lado do antigo. Vai oferecer a oportunidade de ser constatar o uso de diferentes recursos para escrita e desenho. A era do giz e a da caneta do tipo Pilot, usada nos quadros de fórmica e nos de vidro que equipam centenas de salas de aula atualmente no campus. Ao mesmo tempo, os estudantes têm aulas em programas como o Autocad e acabam usando também os recursos da Inteligência Artificial (IA).
"Para mim é importante para memória, para as futuras gerações também. A gente tem hoje tecnologia, desenho informatizado, mas da onde que surgiu tudo isso? É importante essa base lá de trás que, de uma certa forma, contribuiu para que a gente chegasse nesse desenvolvimento tecnológico que a gente tem hoje, que é o desenho informatizado" - pondera Wellington.