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Entrevista

Convidado da Aula Inaugural destaca o potencial do MNPEF

por Assessoria de Comunicação Social do Campus Campos Centro publicado 24/02/2026 09h29, última modificação 24/02/2026 10h47
O professor pesquisador Marcello Ferreira diz que o mestrado em rede já formou mais de 3 mil docentes.
Mestrado em Física

   O físico Marcello Ferreira é professor e vice-diretor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB) e ex Pró-Reitor de Pós-Graduação da Sociedade Brasileira de Física (SCB), sendo também credenciado ao Centro Internacional de Física (CIF). É doutor em Educação em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestre em Ensino de Física e graduado em Física pela UnB. Nesta breve entrevista, concedida a Assessoria de Comunicação Social (veja a versão completa AQUI), Marcello fala sobre o alcance dos cursos de especialização e de como o MNPEF é organizado para proporcionar a seus alunos o sucesso esperado. 

Ascom - Tínhamos uma dificuldade para formar professores da área, sendo comum às vezes um matemático lecionar Física. Isso mudou no país?

Marcello Ferreira - O Brasil evoluiu muito com as políticas de formação de professores desde o primeiro governo Lula. Então, no Censo do Ensino Superior realizado pelo Inep de 2018, por exemplo, nós tivemos um dado - e esses percentuais podem variar conforme a métrica - em 2018, cerca de 22,5% dos professores que lecionavam Física na Educação Básica tinham graduação propriamente em física. Esse cenário evoluiu. O Censo de 2022, por exemplo, já mostrou um índice da ordem de 55% dos professores. Portanto, a cada dois professores da Educação Básica, um era formado em Física. Esse realmente é um diagnóstico que aponta que as políticas públicas de formação inicial têm caminhado bem.

Ascom - É possível termos uma noção da extensão da pós-graduação para os profissionais do ensino básico?

Marcello - Nós já temos mais de três mil professores de Física da Educação Básica brasileira que concluíram esse mestrado em ensino de Física em rede. É óbvio que existem outros mestrados na área no Brasil, pelo menos desde a década de dois mil com essa terminologia. Antes disso, dentro dos cursos de pós-graduação em Física, havia as linhas de pesquisa e ensino em Física, mas, a partir dos anos dois mil, passaram a existir programas de ensino de Física que vêm formando professores da e para a Educação Básica, alcançando também o Ensino Superior. Esse é um outro dado. Mas, tratando especificamente do MNPEF, que surge em 2013, já foram formados mais de três mil estudantes nas 63 instituições que compõem a rede.

Ascom - Muitos profissionais desenvolvem uma grande bagagem, mas sentem receio de um curso como o mestrado. Pode ser diferente?

Marcello - Primeiro, eu começaria dizendo que faz todo sentido a experiência dos professores, todos os grandes referenciais teóricos contemporâneos apontam que não existe uma formação de professores adequada que não esteja sustentada nas experiências dos indivíduos que dela participam, porque eles têm muitas experiências, aquilo que a gente chama da praxis, a relação teoria e prática. Agora, existe uma translação que precisa ser feita, porque, no meio desses conhecimentos, há um monte de senso comum, de superficialidades e de ideias equivocadas e que não podem ser reforçadas. É bem verdade que o mestrado é uma formação acadêmica de alto nível e que tem muito rigor epistemológico, teórico e metodológico. Portanto, os estudantes que ingressam no curso vão enfrentar as dificuldades que são típicas de um curso de pós-graduação stricto sensu, como é o caso do mestrado. Entretanto, o farão acompanhados por professores altamente especializados que são experientes em pesquisa, que têm uma estrutura de reflexão acerca dessas próprias dificuldades e que buscam, nas suas práticas, também colaborar para que os estudantes consigam passar com sucesso por esse desafio.

Ascom - O senhor vai dizer que é difícil, mas é possível...

Marcello - Vai ser nesse sentido a minha fala e eu espero que ela seja útil, produtiva e que, de fato, encontre os estudantes nos temores que eles têm para iniciar as pós-graduação, mas, sobretudo, em suas expectativas, porque todo estudante, especialmente um professor em exercício que ingressa em uma pós-graduação buscando se aperfeiçoar, deve sinceramente estar aberto à possibilidade do novo, À possibilidade do desafio. E isso, se feito de uma maneira orientada e organizada, tem um enorme potencial de sucesso, que é o que todos nós buscamos.