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Estudantes do IFF Macaé participam de discussão sobre inclusão
A advogada Marcela Lima e o estudante Luan Soares, convidados da roda de conversa.
No dia 23 de setembro, o Campus Macaé do Instituto Federal Fluminense promoveu uma roda de conversa com os estudantes e responsáveis com o tema “Você Faz Parte Disso: Respeito, Inclusão e Cultura de Paz Começam em Nós”. Durante o encontro, promovido no auditório da instituição, estudantes, servidores e responsáveis reuniram-se para debater os desafios, as práticas cotidianas e os compromissos coletivos em prol da inclusão e da acessibilidade no ambiente escolar. As falas apresentadas ao longo do evento integraram diferentes perspectivas que compõem a vivência acadêmica e social do Instituto Federal.
A palestrante convidada foi Marcela Lima, advogada especializada e membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da 15ª Subseção da OAB/Macaé. Ela falou um pouco sobre sua experiência pessoal como mãe atípica e detalhou projetos voltados ao suporte jurídico voluntário para famílias e instituições parceiras, como a APAE, oferecendo orientação sobre direitos, curatela e tomada de decisão apoiada.
O estudante Luan Soares destacou a dimensão individual do processo inclusivo, apontando que a percepção do acolhimento varia de acordo com a experiência única de cada estudante no espaço escolar. Ele relatou que conheceu o IFF no projeto Portas Abertas e ao iniciar o curso Técnico em Automação Industrial integrado em Ensino Médio, foram conquistadas, por meio de parceria entre a escola e o município, melhorias tanto dentro quanto no entorno do campus para que ele possa ir e vir de forma autônoma.
A fala de Luan foi complementada pelo relato de sua mãe, que abordou as barreiras estruturais enfrentadas no cotidiano, como os desafios na mobilidade urbana ao redor do campus, exemplificados por calçadas e pontos de ônibus inadequados. Ela falou sobre o desejo de que seu filho possa vir à escola de ônibus, mas que, infelizmente, até o momento isso não é possível, pois o transporte e seu acesso ainda não são adequados para cadeirantes. Além das adaptações físicas, a mãe enfatizou que a verdadeira inclusão exige uma postura empática contínua por parte de toda a comunidade acadêmica. “Vocês podem perguntar ao Luan se ele precisa de ajuda para atravessar a rua, por exemplo”, disse ela.
O professor Raphael Luz compartilhou seu relato pessoal sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Em sua reflexão, pontuou que a principal barreira não reside na capacidade de aprendizagem, mas sim na execução de tarefas continuadas em virtude da distorção temporal. Ele ressaltou a importância transformadora da empatia docente, afirmando que a confiança demonstrada pelos professores é capaz de elevar a autoestima e motivar o estudante a acreditar em seu próprio potencial. “A gente não se preocupa apenas em passar a matéria, a gente se preocupa em como o estudante vai prosseguir daí em diante”, disse. O professor ainda alertou que o isolamento deliberado de colegas representa a principal forma de bullying na atualidade e conclamou os estudantes a adotarem uma atitude ativa de integração interpessoal e combate à exclusão.
O evento apresentou também o papel das ações desenvolvidas pelo Napne (Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Específicas). A coordenadora do núcleo, Rafaela Dumas, relatou que o setor atende desde os estudantes do Partiu IF até os dos mestrados. “São mais de 160 estudantes mapeados até o momento e ainda há outros que não procuraram a ajuda do setor”, disse. Ela informou que a equipe pedagógica pode fazer o encaminhamento para atendimento pelo Napne, caso o aluno não possua laudo médico. Se houver, basta encaminhar o laudo diretamente ao setor.