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Rodas de conversa promovem debates sobre racismo e capacitismo

por Valdênia Lins - Campus Macaé publicado 02/10/2026 11h52, última modificação 02/10/2026 11h52
Projeto Repertório Enem vem sendo desenvolvido nas aulas de redação do Ensino Médio Integrado.
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  Com o objetivo de fortalecer a formação crítica e o engajamento ético-social da comunidade acadêmica, o IFF Campus Macaé promoveu uma série de rodas de conversa voltadas aos estudantes do Ensino Médio. O projeto "Repertório Enem" traz discussões sobre temas que podem ser abordados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Nas últimas semanas, as atividades abordaram temáticas como racismo recreativo e capacitismo, integrando momentos de debate, reflexão teórica e produção pedagógica.

  As ações voltadas para o 3º ano contaram com a participação de todas as sete turmas, em encontros realizados no dia 16 de setembro (quarta-feira), no dia 18 de setembro (sexta-feira) e na segunda-feira, dia 21 de setembro. As três primeiras sessões, no dia 16, contaram com a colaboração de Vítor dos Santos Nascimento, ex-aluno do curso técnico de Eletrônica do IF (formado em 2016) e atual professor de História nas redes de Macaé e Arraial do Cabo. As turmas seguintes contaram com a condução conjunta do professor Bruno Pereira e da assistente social Débora Spotorno. O psicólogo Marcelo Quirino também participou em uma das sessões.

   O debate utilizou recursos multimídia, como slides e vídeos reflexivos, além da leitura e discussão de um texto autoral do professor Bruno publicado na imprensa local, estabelecendo pontes entre o preconceito racial e referências literárias como a obra O Mercador de Veneza, de Shakespeare.  Durante as conversas, os alunos relataram a ocorrência de episódios de racismo cotidiano, manifestados em piadas, jogos online e figurinhas de aplicativos de mensagem, reconhecendo a importância de identificar e combater tais práticas. Como fechamento do ciclo, os estudantes participarão de uma atividade avaliativa no formato de simulado de redação do ENEM centrado na temática.

  Nas turmas de 1º ano, o tema abordado foi  capacitismo. A assistente social utilizou uma dinâmica interativa na qual os alunos sorteavam, de uma caixa, afirmações sobre acessibilidade e inclusão para debaterem se eram verdadeiras ou falsas. O formato incentivou a análise crítica sobre direitos, como o papel das salas de recursos e a inclusão de alunos surdos, além do reconhecimento de atitudes capacitistas no cotidiano escolar. Os professores  de Língua Portuguesa Bruno Pereira, Priscila Wandalsen e Olívia Mello propuseram diferentes avaliações para cada turma. 

  Os alunos do professor Bruno foram divididos em grupos para pesquisar condições e necessidades específicas (como autismo, TDAH, deficiência visual, auditiva e física). Cada grupo produzirá cartazes informativos sobre as características, desafios no ambiente escolar e propostas de inclusão, que serão expostos pelo campus.

 Nas turmas atendidas nos dias 24 e 25, com a professora Priscila,  os estudantes desenvolverão uma redação no formato de depoimento, relatando vivências pessoais ou observações sobre capacitismo e bullying.

  As turmas de primeiro ano da professora Olívia já estão com data marcada para a roda de conversa. A proposta  também culminará em produções textuais dos estudantes.

  A iniciativa tem demonstrado um impacto positivo na aproximação entre estudantes e corpo docente, promovendo a escuta ativa e o aprofundamento de temas essenciais à saúde mental e à convivência escolar.

 Débora relata que a discussão cria repertório para uma argumentação mais aprofundada e fundamentada numa redação e gera a reflexão sobre suas próprias atitudes. “Essas discussões aproximam os alunos do professor e da gente da equipe. Eles nos procuram depois para conversar sobre situações particulares e pedir ajuda. Isso é promover a saúde mental”.

  O ciclo de atividades inclusivas terá continuidade com novas temáticas planejadas para as turmas de segundo ano da instituição. “Queremos fazer esse tipo de atividade mais vezes. Uma vez os professores entendendo e abraçando a ideia, vamos mobilizar a escola o ano inteiro. Sempre vai ter uma roda de conversa acontecendo em algum lugar dessa escola e aí um vai ‘contaminando’ o outro e a discussão se espalha na comunidade”, afirmou Débora.